Mobilidade invisível

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, deu entrevista à coluna Direto da Fonte, do Estado de S. Paulo, publicada na edição do dia 10. Destaque para a resposta abaixo:

Falou-se muito que a Copa do Mundo seria um evento da iniciativa privada. Mas, com o passar do tempo, o que se viu foi o governo pagando boa parte da conta. O que deu errado?
Nada. Esta é uma Copa com recursos privados. O governo investe em obras para a população. Obras que seriam feitas independentemente da realização do torneio – a maioria delas faz parte do PAC. Evidente que muitas foram antecipadas para atender as necessidades da Copa. No caso dos aeroportos, por exemplo, eles seriam reestruturados mesmo que não houvesse Mundial. A melhoria na mobilidade (metrô, VLT, trens, viadutos, avenidas) também aconteceria?

Se na sua cidade houve, por favor, relate, para divulgarmos.

World Bike Tour em Brasília (III)

É até com certo sentimento de culpa que informo o terceiro adiamento do World Bike Tour de Brasília. Quando divulguei o evento, ainda no início de março, o passeio ocorreria no dia 20 de abril, véspera do aniversário da cidade. Depois passou para 18 de maio, depois para 9 de junho e agora, em “novo e último reajustamento” (nas palavras da organização), para 22 de setembro. Isso mesmo: setembro.

Cidades amigas da bicicleta (II)

Se já foi uma surpresa o Rio de Janeiro em 18º no ranking das cidades mais “amigas da bicicleta” do site Copenhagenize, em 2011, o que dizer da nova lista, divulgada este mês? A capital fluminense – mesmo com um punhado de mortes de ciclistas nos últimos meses – subiu para a 16ª posição, à frente de Barcelona e Paris, por exemplo.

Os critérios, em tradução livre, são os seguintes: ongs pró-bicicleta, cultura da bicicleta, equipamentos públicos, infraestrutura, sistema de aluguel, participação por gênero, grau de utilização, aumento do grau de utilização (desde 2006), sensação de segurança, política, aceitação social, planejamento urbano e atenuação do tráfego.

Veja o ranking:

1. Amsterdã
2. Copenhague
3. Utrecht
4. Sevilha
4. Bordeaux
6. Nantes
6. Antuérpia
8. Eindhoven
9. Malmo
10. Berlim
11. Dublin
12. Tóquio
13. Munique
13. Montreal
13. Nagoia
16. Rio de Janeiro
17. Barcelona
17. Budapeste
19. Paris
19. Hamburgo

Copa da imobilidade

VLT, BRT, ampliação do metrô. Como nada disso ficou pronto, o governo do Distrito Federal resolveu, para os primeiros eventos teste da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, soluções inovadoras: bloquear vias, desviar caminhos e pedir a “colaboração” das pessoas.

Para a partida entre Santos e Flamengo, no domingo, resolveu, além de tudo isso, abrir o Eixo Rodoviário ao trânsito de carros – há 20 anos o local, aos domingos, é reservado ao lazer da população. No ano passado, o governador Agnelo Queiroz transformou a tradição em norma, sancionando a Lei 4.757, que diz o seguinte:

Art. 2º O Eixão do Lazer abrange os Eixos Rodoviários Sul e Norte, que ficarão liberados para a população aos domingos e feriados no horário das 6h às 18h.

Por isso, cresce um movimento na internet para ocupar o Eixão do Lazer no domingo, fazendo valer a tradição e a lei. O #OcupaEixao deve levar famílias inteiras ao local para bloquear o acesso não de pessoas, mas de carros, à via.

O governo local finge que não sabe. E, por meio da Secretaria de Segurança, manda avisar que as “forças de segurança” tomarão as medidas necessárias para coibir atitudes contrárias à “festa” pré-Copa.

A história, até aqui, não é boa. Vejamos domingo como vai continuar.

Christine, o carro assassino

Uma busca por “ciclista” ou “pedestre” e “atropelado” no Google Notícias dá resultados como:

Vídeo flagra caminhão atropelando ciclista em avenida de Manaus

Ciclista morre após ser atropelado por carro na Estrutural, no DF

Ciclista morre depois de ser atropelado por ônibus em Belém

Ciclista morre atropelado por caminhão de limpeza no Rio

Ônibus atropela pedestre no corredor da Avenida São Jorge em Campinas

Moto atropela pedestre na Avenida das Américas

Motociclista atropela pedestre e carro bate contra parede para desviar

Carro atropela e mata pedestre na Via Dutra, no RJ

E um incrível:

Ciclista de 14 anos morre ao ser atropelado por veículo na SC-120

A impressão que se tem é que as ruas estão tomadas por automóveis com vontade própria que, aqui e ali, disparam contra pedestres e ciclistas, e até outros automóveis, sempre por razões alheias à vontade ou ao controle de quem os conduz. É só coincidência?

Reflexão: ciclofaixa do lazer de Brasília

A ong Rodas da Paz divulgou texto sobre a ciclofaixa de lazer feita a toque de caixa em Brasília e as prioridades de uma verdadeira promoção da cultura cicloviária:

Uma reflexão da Rodas da Paz sobre as ciclofaixas de lazer

Nos últimos dias muita atenção tem sido dada as novas ciclofaixas de lazer. A questão central é: de que forma elas tem potencial para contribuir para a cultura cicloviária do DF? Deixamos alguns pontos para contribuir com essa questão e com o planejamento da nossa política de ciclomobilidade.

A ciclofaixa de lazer é uma ideia interessante por oferecer mais um espaço de lazer para o brasiliense e limitar o espaço viário dedicado aos carros. Contudo, é preciso lembrar que esta é uma política complementar para promoção do uso da bicicleta e que deve ter por objetivo o convívio harmônico e o respeito as diferentes opções de mobilidade urbana.

Para cumprirem seu papel, as ciclofaixas de lazer devem estar associadas a um projeto de valorização da cultura cicloviária. Isto significa promover campanhas massivas de educação dos ciclistas, motoristas e pedestres e de fiscalização sobre o cumprimento do CTB, principalmente no que diz respeito a noção de que a bicicleta é um veículo; assim como executar estratégias permanentes de moderação do tráfego e redução dos limites de velocidade.

Nesse sentido, as campanhas devem prioritariamente orientar os motoristas à obediência ao Código de Trânsito e para uma conduta de respeito ao ciclista e ao pedestre, promovendo a segurança e garantindo a proteção à vida. Isso quer dizer que os motoristas devem ser orientados a reduzir a velocidade e oferecer pelo menos 1,5m de distância em ultrapassagens e dar a preferência à bicicleta nos cruzamentos e nas entradas.

No entanto, há pouco que aponte nessa direção. Os panfletos distribuídos nas ciclofaixas de lazer, por exemplo, se restringem, até então, exclusivamente aos ciclistas, não sendo voltados aos motoristas. Do mesmo modo, não há sinalização nas ciclofaixas (nem nas ciclovias) que mostre que a preferência é do ciclista. No caso do sudoeste, a sinalização indica, contraditoriamente, a preferência dos veículos motorizados.

Lembramos também que os custos envolvidos nas ciclofaixas não são pequenos, pois é preciso sinalizar as vias, comprar cones e deslocar agentes para montar e desmontar a operação. Não é contraditório deslocar tamanho investimento para uma estrutura temporária de lazer, enquanto a infraestrutura permanente para transporte nas cidades satélites, onde há o maior número de usuários de bicicleta (e de acidentes), é precária?

Afinal, por que a sinalização da Ciclofaixa, que só funciona uma vez por semana em dia de baixo tráfego de carros, foi feita antes da sinalização das ciclovias em implantação, que são para uso diário no transporte?

Essas questões, que há tempos vem sendo apresentadas pela Rodas da Paz no Comitê Gestor da Política de Mobilidade Urbana por Bicicleta do DF, reforçam a necessidade de que a participação popular nesse processo seja mais efetiva. Afinal, os usuários de bicicletas e as organizações que lutam por um trânsito mais humano e uma mobilidade cidadã tem grande experiência prática e conhecimento no tema – que é muito recente no país.

Para promover a cultura cicloviária para além da contribuição positiva, mas limitada, das ciclofaixas de lazer, é urgente que o GDF promova a participação efetiva da sociedade e a mobilização dos que tem na bicicleta seu meio de transporte ou lazer, a exemplo de outras grandes cidades do Brasil.

Rodas da Paz, abril de 2013.

World Bike Tour em Brasília (II)

Com o encerramento das inscrições para o World Bike Tour de Brasília, que ocorre no dia 20 de abril, os interessados têm até a próxima quinta-feira (21) para pagar a taxa de R$ 250. A quantia dá direito a bicicleta, capacete, mochila e camiseta. E os organizadores afirmam, de maneira não muito simpática, que “só poderão participar no passeio ciclístico aqueles devidamente inscritos”.

O Arturo Alcorta, da Escola de Bicicleta, publicou uma completíssima avaliação da bicicleta usada no WBT 2013 de São Paulo, que deve ser a mesma de Brasília.