Pedaladas Capitais

3×2 com Willian Cruz, marido ciclista

Novembro 17, 2009 · Deixe um comentário

Já conhecido entre os ciclistas de São Paulo, o analista de sistemas Willian Cruz, 36 anos, ficou famoso de verdade no mês passado, ao protagonizar com Priscila Teixeira um autêntico… casamento civil. Comum? Não quando os noivos chegam ao cartório de bicicleta.

Qual é o segredo para manter o terno – e o vestido de noiva – impecável numa pedalada de 8 km até o cartório?
Não foi muito difícil, já que pedalamos tranqüilamente e sem pressa. Não estávamos apostando corrida, nem em treinamento. Era só um deslocamento urbano, que não precisa ser feito com esforço e sim com prazer. Foi um passeio em ritmo tranquilo, para todos os convidados acompanharem, já que as idades variavam dos 13 aos 60 anos. Apesar do sol e do paletó, quase não suei. Foi como se estivéssemos andando sem pressa pela rua. E, mesmo assim, vencemos os 8 km em cerca de 50 minutos.

Tomamos alguns poucos cuidados com o vestuário para que as roupas não enroscassem na bicicleta, já que os fabricantes brasileiros estão bem atrás dos europeus e ainda não abriram os olhos para o uso cotidiano e casual da bicicleta nas grandes cidades. Minha bicicleta não tem proteção sobre a corrente, por isso prendi a barra da calça com um velcro preto, o que ficou discreto e imperceptível. Costumo fazer isso sempre que quero pedalar de calça, o que permite mantê-la limpa e intacta.

Como o vestido da noiva obviamente não poderia (e nem precisava) ser longo e de cauda, a Priscila “montou” um modelo mais curto, com uma saia pouco abaixo do joelho. A bicicleta da noiva, como todas as outras fabricadas por aqui, não tem guarda-saias, por isso as meninas que a enfeitaram colocaram duas proteções de papelão nas laterais das rodas, para que a saia não encostasse na roda traseira. Essas proteções foram decoradas com adereços e a frase “atenção, noivos passando”, compondo o conjunto da decoração da bicicleta.

Pedalada antes de dizer sim. Foto: CicloBR.

Seguindo no tema: é possível um casamento entre bicicleta e automóvel no trânsito caótico das grandes cidades?
Tem que ser. A rua é de todos, tanto dos carros quanto das bicicletas, ônibus, caminhões, motocicletas, skates, patins e pedestres. O que precisamos é divulgar mais esse conceito, que está enunciado no Código de Trânsito Brasileiro. Mas nem todo mundo tem conhecimento ou quer aceitar.

Não precisamos de ciclovias para usar a bicicleta como meio de transporte. Centenas de milhares de pessoas já a utilizam todos os dias aqui em São Paulo, apesar de termos uma única ciclovia decente e, mesmo assim, pela metade. Ciclovias são importantes em avenidas de tráfego rápido, onde protegem o ciclista do fluxo de veículos, mas é impossível e desnecessário implementá-las em TODA a cidade. O que precisamos é de compreensão de que a bicicleta é um veículo, de que deve se portar como tal e deve ter os mesmos direitos de circulação.

A implementação de ciclovias em algumas poucas avenidas de grande porte ajuda apenas a parcela de ciclistas que utiliza essas avenidas e apenas pelo tempo em que estão ali. Fora da ciclovia, o ciclista continua sendo visto como intruso. Na verdade, nesse aspecto, a ciclovia até atrapalha, já que ela segrega e propaga o falso conceito de que lugar de bicicleta é só na ciclovia. Mas há algumas ações de baixo custo e rápida implementação que trariam segurança a todos os cidadãos que utilizam a bicicleta, em toda a cidade.

A ação mais urgente e mais importante é uma campanha de conscientização em grande escala, que ao mesmo tempo incentive o uso da bicicleta (afinal, quanto mais ciclistas nas ruas, mais seguras elas se tornam) e esclareça a motoristas e ciclistas que o lugar da bicicleta é na rua, que sua presença deve ser aceita e que a vida que se equilibra em cima dela deve ser respeitada. A bicicleta na frente do carro não é um obstáculo, é uma pessoa, uma vida, tentando chegar a algum lugar com um veículo que ocupa pouco espaço, não polui e não congestiona. É essa a mensagem que deve ser passada.

Após uma fase inicial de educação, deve haver uma segunda fase de punição, onde motoristas que passem próximos demais a um ciclista ou que o ameacem com o veículo sejam punidos, como manda a lei, seja com multa ou até mesmo como crime – quando a ameaça caracterizar uma tentativa dolosa de lesão corporal ou ameaça à vida. Os motoristas que agem na anonimicidade dos vidros escuros e na certeza de impunidade passariam a pensar duas vezes antes de colocar a vida de alguém em risco.

Sinalização informativa também é importante, igualmente urgente e bastante eficiente. Bicicletinhas brancas pintadas no asfalto oficializam o direito que a bicicleta tem de circular naquele espaço, disciplinando os motoristas. Aqui em São Paulo, bicicletas foram pintadas no asfalto de grandes avenidas, por iniciativa popular, e o efeito foi perceptível.

Placas avisando que naquela via há tráfego de bicicletas também legitimam essa presença. Ambas as iniciativas fazem com que o motorista entenda que a bicicleta tem o direito de estar na via, coisa que é difícil de entrar na cabeça de muita gente que acredita que só quem paga IPVA tem direito de utilizar as ruas (como se o imposto fosse sobre Propriedade Viária, não do Veículo).

Portanto, para que esse casamento dê certo, é necessário principalmente ter uma mudança de visão nos setores do poder público responsáveis pelo trânsito nas cidades. E, enquanto eles não acordam, fazemos nossa parte impondo nossa presença nas ruas, evidenciando a presença da bicicleta e reivindicando os direitos dos ciclistas. Nós, ciclistas, estamos fazendo de tudo para esse casamento dar certo, por mais que a outra parte ainda não nos aceite totalmente…

Diz o slogan que o brasileiro é apaixonado por carro. Como fazê-lo se apaixonar pela bicicleta (como meio de transporte)?
Para o brasileiro se apaixonar pela bicicleta é preciso “seduzi-lo”. O uso da bicicleta deve se tornar atraente, agradável, objeto de desejo. E vendê-la apenas como veículo verde não é suficiente. O egoísmo costuma ser mais forte que o altruísmo, por uma questão de instinto.

Essa sedução pode ser feita de diversas formas. Mostrar que o uso da bicicleta é mais agradável e mais rápido que o do carro é uma delas, mas é preciso mais. Precisamos ter ruas mais seguras, que atraiam as pessoas a pedalar nelas. Precisamos divulgar rotas alternativas e agradáveis aos ciclistas iniciantes, para que pedalem em ruas paralelas e arborizadas, em vez de seguir pelas avenidas cinzas que usariam se estivessem de carro. Precisamos incentivar o uso da bicicleta com locais de estacionamento, integração com transporte público, vestiários nas empresas e aceitação de sua presença nas ruas e nos estabelecimentos comerciais. As pessoas precisam se sentir bem com a idéia de usar a bicicleta e ser aceitas e bem recebidas ao exercer essa opção.

É preciso derrubar o conceito, martelado dia e noite pela publicidade automotiva, de que o seu sonho é ter um carro. Quem é você, homem da televisão, para dizer que meu sonho é ter um carro? Quem foi que me convenceu que a felicidade está trancada atrás de metal e vidros escuros, com o ar-condicionado ligado, em vez de estar num parque, numa praça, numa praia? Onde é que está escrito que a medida do meu sucesso é o quanto de dinheiro eu jogo fora para manter meu carro? Isso é medida de sucesso ou de burrice?

Para fazer o brasileiro se apaixonar pela bicicleta, precisamos abrir seus olhos e mostrar que o casamento atual não está dando certo. Não adianta ficar se enganando, fingindo que o casamento está perfeito: o carro está te traindo. Dizem que ele te faz feliz, que ele te dá a vida que todo mundo queria ter, mas ele te prejudica sem você perceber. Prejudica sua saúde, altera sua personalidade, rouba seu tempo e fica com boa parte do seu dinheiro. Chega um momento em que a única opção é o divórcio. E, quando esse dia chegar, você vai agradecer por ter conhecido a bicicleta.

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Motorista consciente

Novembro 9, 2009 · Deixe um comentário

O Ministério das Cidades iniciou este mês a nova Campanha Nacional de Trânsito, com anúncios de TV, rádio, mídia impressa e mídia externa, abordando o tema “Motorista legal é motorista consciente”. O objetivo da campanha é “impactar os atores do trânsito (motoristas, pedestres, motociclistas e ciclistas) para incentivar a condução com responsabilidade, o respeito às leis e o convivío civilizado nas necessidades diárias de deslocamentos”.

Entre as peças destinadas à mídia impressa, há uma que alerta para a importância de se respeitar o espaço do ciclista, citando a distância de um metro e meio ao se passar ou ultrapassar bicicleta.

Infelizmente, no caótico site do ministério, só estão disponíveis os anúncios em vídeo.

Abaixo o texto completo do anúncio:

Dê preferência e mantenha uma distância segura ao ultrapassar ciclistas.

No trânsito é preciso ter sempre em mente o perigo que você pode causar aos outros e a si mesmo. Motoristas devem sempre estar alertas à presença de veículos menores. Por isso, tenha atenção com os ciclistas. Dirija com consciência.

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Passos de bebê

Novembro 5, 2009 · 2 Comentários

Enquanto ciclofaixas, ciclovias e aluguel de bicicleta permanecem na promessa, a Câmara Legislativa do Distrito Federal arrumou uma boa surpresa para os ciclistas da capital. Agora é ver se sai do papel. O texto é da Coordenadoria de Comunicação Social da CLDF.

Todos os locais de grade afluxo de pessoas terão que oferecer estacionamento gratuito para bicicletas. É o que determina o projeto de lei 194/2007, do deputado Reguffe (PDT), que vai se transformará em lei, em breve. A Câmara Legislativa derrubou nesta terça-feira (3) o veto total do governador Arruda à proposta.

A rejeição do veto foi garantida com o voto de 14 parlamentares. A líder do governo, Eurides Brito (PMDB), liberou os deputados da base governista para acatarem a proposta de Reguffe. Vários distritais defenderam a nova lei, na tribuna, ressaltando que a medida vai incentivar o uso da bicicleta e a preservação do meio ambiente. Foram 14 votos contra o veto. E nenhum favorável.

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Vaca louca

Outubro 30, 2009 · Deixe um comentário

Como se não bastasse seu incompreensível sucesso no Brasil, a Cow Parade nos traz agora uma vaca ciclista, de autoria da designer Laura Sobral, finalista da seleção para a exposição de 2010, em São Paulo. Detalhe: a cicowvia, segundo o site Blue Bus, é patrocinada pela Ipiranga. Aquela que descobriu há muito tempo que o brasileiro é apaixonado por carro.

vacacicl

Vaca ciclista, idéia bovina. Imagem do Blue Bus.

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Twitter

Outubro 24, 2009 · Deixe um comentário

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Um dia…

Outubro 24, 2009 · Deixe um comentário

Para quem não sabe, apesar da precariedade de sua estrutura cicloviária, o Distrito Federal tem, desde 2007, um Dia do Ciclista. Instituído pela Lei 4.030, de 16/10/2007, é comemorado em 26 de outubro. Nesse dia, em tese, deveriam acontecer eventos especiais relacionados ao tema:

Art. 2º Os órgãos públicos promoverão festividades, debates, palestras e outros eventos, com vistas a difundir o respeito e a prática do ciclismo na cidade.

Parágrafo único. As festividades, os debates, as palestras e os eventos de que trata o caput, sempre que possível, devem ser harmonizados com a programação realizada no Distrito Federal.

A dois dias da data comemorativa, nem a página do Programa Cicloviário do Distrito Federal (Pedala-DF), nem a da Agência de Comunicação do Distrito Federal, anunciam festividades, debates, palestras e outros eventos, com vistas a difundir o respeito e a prática do ciclismo na cidade.

O solitário evento semi-oficial, com participação do Pedala-DF e do Detran-DF, foi a Palestra do Ciclista, no dia 21. Ainda assim, não houve divulgação nas páginas dos órgãos supracitados, além de tecnicamente o dia sequer fazer parte de uma imaginária Semana do Ciclista – que iria do dia 25 ao 31.

Vamos aguardar uma surpresa…

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Palestra do Ciclista

Outubro 18, 2009 · 1 Comentário

Com participação do Detran-DF, Pedala-DF (Programa Cicloviário do Distrito Federal), Rodas da Paz e Pedal Noturno.

Data: 21/10/2009
Horário: 19h30
Local: Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Sala Águas Claras)

Mais informações: Rodas da Paz.

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Prêmio para criador da Brompton

Outubro 16, 2009 · Deixe um comentário

O britânico Andrew Ritchie, inventor da bicicleta dobrável Brompton, conquistou a 50ª edição do Prince Philip Designers Prize, concedido pelo Design Council.

Uma Brompton dobrada. Foto de divulgação.

Uma Brompton dobrada. Foto de divulgação.

Formado em engenharia, Ritchie inspirou-se na bicicleta portátil Bickerton para criar seus primeiros protótipos, na década de 1970, com apoio financeiro de amigos. Ele chegou a tentar licenciar o projeto para empresas estabelecidas, como a Raleigh, mas na época nenhuma acreditou no potencial do segmento.

Novamente com ajuda de amigos, que se dispuseram a pagar adiantado pelas bikes, Ritchie produziu as primeiras Brompton em 1981. Hoje, a empresa fabrica mais de 20 mil unidades por ano, com preços que podem passar de US$ 2 mil.

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Dúvida existencial

Outubro 1, 2009 · Deixe um comentário

Depois de assistir ao documentário Still we ride e ao vídeo de uma altercação durante a Bicicletada de Blumenau, fiquei a pensar num ponto polêmico, freqüentemente lembrado por autoridades policiais quando desejam interromper ameaçadores passeios de bicicleta. Afinal, pedalar em grupo, ocupando a faixa de rolagem inteira, é uma infração de trânsito?

O Código de Trânsito Brasileiro não deixa muita dúvida:

Art. 247. Deixar de conduzir pelo bordo da pista de rolamento, em fila única, os veículos de tração ou propulsão humana e os de tração animal, sempre que não houver acostamento ou faixa a eles destinados:

Infração – média;

Penalidade – multa.

E aí? Passeios em grupo, bicicletadas e assemelhados são exercícios legítimos dos direitos de reunião e manifestação? São um desrespeito à lei de trânsito? São um caso à parte?

Mais legislação aqui, aqui e aqui.

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Desafio Intermodal de Brasília

Setembro 24, 2009 · Deixe um comentário

Depois de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Florianópolis, Curitiba, Maringá e outras cidades, Brasília aproveitou o Dia Mundial sem Carro para realizar seu primeiro Desafio Intermodal. A missão era vencer um percurso de 15 km, entre a QI 25 do Guará II e a Praça das Bicicletas (Museu da República), com saída às 7h22. E os resultados foram:

Moto: 27 minutos
Bicicleta: 28 minutos
Bicicleta: 29 minutos
Bicicleta: 30 minutos
Integração bicicleta-metrô: 31 minutos
Bicicleta: 40 minutos
Integração ônibus-metrô: 43 minutos
Carro: 57 minutos
Integração bicicleta-ônibus: 57 minutos
Bicicleta: 58 minutos
Metrô: 60 minutos
Ônibus: 98 minutos

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