Oficina mostra como fiscalizar políticas de mobilidade urbana

O Observatório Social de Brasília e o Movimento Nossa Brasília realizam, no dia 6 de dezembro (sábado), a partir das 9h, a oficina “Transparência e Mobilidade”. O evento tem como objetivo mostrar a importância do controle social e apresentar meios para a obtenção de informações públicas, com foco nas políticas de mobilidade urbana do Distrito Federal.

Na oficina, entre outras atividades, serão discutidas as principais diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei 12.587/2012) e apresentadas maneiras de usar a Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011) para obter informações que, apesar de públicas, nem sempre são de fácil acesso pela sociedade.

Confirme sua presença. As vagas são limitadas.

Oficina “Transparência e Mobilidade”
Data: 6/12/2014
Horário: 9h às 13h
Local: Balaio Café (CLN 201, Bloco B – Asa Norte)

Expansão de ciclovias impulsiona o turismo de bicicleta em São Paulo

Vivian Reis
Do G1, em São Paulo

Com cada vez mais quilômetros de ciclovias por São Paulo, os turistas, e também moradores que querem ver a cidade por outro ângulo, estão desbravando a capital sobre duas rodas em passeios oferecidos por agências de turismo. Elas apostam no forte apelo de marketing das bicicletas após a boa recepção dos paulistanos ao aumento das vias para ciclistas.

Desde junho estão sendo inauguradas novas ciclovias, e a cidade tem hoje 183,3 km de vias para bicicletas, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A meta da Prefeitura de São Paulo é entregar um total de 400 km de novas ciclovias até o final de 2015. Os passeios oferecidos pelas agências já utilizam essas rotas, mas os trajetos não ficam restritos às ciclovias.

O aumento de ciclovias na cidade causou polêmica e debates acalorados nas redes sociais. Em meio à comemoração dos cicloativistas, comerciantes reivindicam calçadas livres para receber mercadorias, motoristas questionam o impacto no trânsito e moradores se preocupam com a falta de vagas para estacionar.

Mas pesquisa realizada pelo Ibope apontou que 88% dos paulistanos são favoráveis à criação de mais ciclovias na cidade. “O investimento nas ciclovias abriu um nicho de mercado, mas a curto prazo contamos mais com o marketing que ele oferece do que com o lucro”, afirma Gustavo Angimahtz, fundador da agência Pediverde.

(…)

Um correspondente (de bike) em São Paulo

O jornalista Vincent Bevins, correspondente do Los Angeles Times no Brasil, relatou via Twitter uma experiência interessante vivida em São Paulo na semana passada.

vinbev

Em tradução livre:

Na noite passada tentei ir de bicicleta a um restaurante de classe média em São Paulo. Fui tratado como se estivesse com uma bomba. O restaurante não queria de jeito nenhum que minha bicicleta ficasse à vista ou fosse deixada em qualquer lugar próximo ao estabelecimento. Era como se eu fosse um perigoso bolchevique. Em Londres, sempre pedalei do trabalho, no Financial Times, até o St. John.

Dia Mundial Sem Carro

Os maiores eventos ocorreram no fim de semana. Mas o Dia Mundial Sem Carro é nesta segunda-feira (22 de setembro). Vá de bicicleta, ônibus, metrô, trem, a pé. Se não der, leve mais gente no carro.

Déficit de muitas coisas

A chamada da matéria de capa da Veja Brasília desta semana não foi exatamente inspirada: “LOTADO, Déficit de 30.000 vagas no Plano Piloto e uma poderosa indústria de flanelinhas transformaram o ato de estacionar em um exercício de paciência”. Déficit de vagas? Poderosa indústria de flanelinhas? O início da matéria, aliás, não é muito melhor: relatos dramáticos (sem ironia) de pessoas que sofrem para estacionar o carro rumo ao trabalho. Mas lá da metade para o fim a coisa até que avança. Dois trechos:

Na raiz do problema há uma dependência — alguns classificariam de vício — do brasiliense com o automóvel, fruto da própria dinâmica da cidade. A setorização contribuiu para que os moradores se habituassem a usar o carro para qualquer programa. Até mesmo nas compras triviais dentro da superquadra onde moram. “É uma questão cultural. As pessoas aqui gostam de descer do carro bem em frente à porta do destino. Se pudesse, o brasiliense saltaria do banco do veículo direto para a cadeira do restaurante”, diz Flávio Dias. O secretário de Governo, Gustavo Ponce de Leon, tem opinião parecida. “É como se as rodas do automóvel fossem nossas pernas”, afirma.

(…)

“A única saída para resolver o problema da falta de vaga é investir em transporte público. Não há alternativa”, sentencia Félix.

Só que lá no fim a revista não resiste e crava a solução mágica:

Outra solução, mais plausível, está vinculada a novas áreas de estacionamento.

Realmente. Muito plausível. E vai resolver bem o problema do transporte.

Imagens (XXI)

12º Passeio da Rodas da Paz, descida para a Praça dos Três Poderes. Foto do blog.

12º Passeio da Rodas da Paz, descida para a Praça dos Três Poderes. Foto do blog.

E os bicicletários “obrigatórios” do DF…

Em 9 de abril de 2012, foi publicada a Lei 4.800, que tornava “obrigatória” a instalação de bicicletários em locais de grande circulação do Distrito Federal. O prazo para adequação à norma era de dois anos, mas, como ressaltado já naquela época, não há qualquer punição prevista em caso de descumprimento.

O Correio Braziliense publica nesta quinta – 31 de julho de 2014 – uma pequena avaliação da implementação dos bicicletários “exigidos” por lei.

Apesar da obrigatoriedade, lei do bicicletário ainda patina no DF

Luiz Calcagno

Foco da ação de ativistas da bicicleta, a mobilidade urbana é lei no Distrito Federal desde 2012. No entanto, passados dois anos desde a publicação da norma que obriga órgãos públicos e locais de grande circulação a instalarem bicicletários, poucos estabelecimentos se adequaram à exigência. Nem mesmo a Câmara Legislativa, responsável pela aprovação do texto, está preparada para receber funcionários ou visitantes que andam sobre duas rodas. Ainda assim, alguns centros comerciais, empresas e entidades representativas reservam um lugar para o meio de transporte. A experiência ajudou no entrosamento dos empregados.

Especialistas atestam para os benefícios da iniciativa. O doutor em trânsito e em mobilidade pela Universidade de Brasília (UnB) Artur Morais destaca, no entanto, que não basta disponibilizar o bicicletário. É preciso uma estrutura para que os ciclistas possam trocar de roupa, guardar os pertences e tomar banho. “Com a quantidade de ciclovias em Brasília, as pessoas precisam ter onde deixar a bicicleta. Cada um que deixa o carro em casa é uma melhora considerável na mobilidade da cidade. Vai melhorar o trânsito e o humor das pessoas. Meia hora de pedal para casa ou à escola equivale a três horas de academia por semana”, afirma.

O uso da bicicleta para ir ao trabalho uniu os amigos Diogo Brito, 31 anos, Vitor Galante, 46, Thaisa Magalhães, 31, Dafne Soares, 28, e Isabela Andrade, 29. A disponibilidade da estrutura na Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimulou cada um deles a deixar o carro em casa. O primeiro a usar a bike foi Diogo. “São duas vezes por semana. Desde 2012, venho regularmente. Agora, tenho mais companheiros, converso com mais pessoas. Às vezes, combinamos de vir com um colega ou com outro. Com os vestiários e os armários, eu deixo a roupa aqui um dia antes. Facilita bastante a logística”, conta.

O que diz a lei

A Lei nº 4.800, de 29 de março de 2012, determina a construção de bicicletários no Distrito Federal. Segundo a norma, a estrutura é obrigatória em agências bancárias, estações do metrô, estabelecimentos de ensino públicos e privados, clínicas, hospitais, centros de saúde e Unidades de Pronto Atendimento, edifícios que abrigam órgãos públicos, supermercados, shopping centers e qualquer outro estabelecimento que atraia grande quantidade de pessoas. A legislação também determina que, ao serem criados estacionamentos ou recuperados os antigos, é obrigatória a inclusão dessas estruturas no local. O texto da lei deu um prazo de dois anos para que os locais se adaptassem. O prazo venceu em março deste ano.