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Expansão de ciclovias impulsiona o turismo de bicicleta em São Paulo

Vivian Reis
Do G1, em São Paulo

Com cada vez mais quilômetros de ciclovias por São Paulo, os turistas, e também moradores que querem ver a cidade por outro ângulo, estão desbravando a capital sobre duas rodas em passeios oferecidos por agências de turismo. Elas apostam no forte apelo de marketing das bicicletas após a boa recepção dos paulistanos ao aumento das vias para ciclistas.

Desde junho estão sendo inauguradas novas ciclovias, e a cidade tem hoje 183,3 km de vias para bicicletas, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A meta da Prefeitura de São Paulo é entregar um total de 400 km de novas ciclovias até o final de 2015. Os passeios oferecidos pelas agências já utilizam essas rotas, mas os trajetos não ficam restritos às ciclovias.

O aumento de ciclovias na cidade causou polêmica e debates acalorados nas redes sociais. Em meio à comemoração dos cicloativistas, comerciantes reivindicam calçadas livres para receber mercadorias, motoristas questionam o impacto no trânsito e moradores se preocupam com a falta de vagas para estacionar.

Mas pesquisa realizada pelo Ibope apontou que 88% dos paulistanos são favoráveis à criação de mais ciclovias na cidade. “O investimento nas ciclovias abriu um nicho de mercado, mas a curto prazo contamos mais com o marketing que ele oferece do que com o lucro”, afirma Gustavo Angimahtz, fundador da agência Pediverde.

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Nova York aprova ciclofaixas

Enquanto as cidades brasileiras vendem ciclovias como grande incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte, Nova York completa seis anos de um projeto muito mais ousado, que resultou, até agora, em 410 km de ciclofaixas nas ruas da Big Apple. A expansão das faixas, por forçar o compartilhamento da rua por ciclistas e motoristas, provocou debates acalorados ao longo dos anos, mas aparentemente começa a se formar uma maioria significativa a favor da iniciativa do prefeito Michael Bloomberg. Pesquisa realizada pelo New York Times com 1.026 pessoas em agosto apontou 66% de aprovação às ciclofaixas (27% de rejeição). Mesmo entre quem sequer tem uma bicicleta a idéia é considerada boa por 62% (contra 34%)… será que algum prefeito daqui compra?

Ciclista contra ciclovia

O início da construção de 88,6 km de ciclovias no Distrito Federal tem provocado um debate acirrado entre “cicloativistas” e ciclistas em geral. Enquanto grupos comemoram o que consideram um avanço em termos de mudança de cultura e mobilidade urbana, outros apontam problemas como falta de planejamento e de transparência.

Infelizmente, quanto mais densos os argumentos contrários, mais os defensores das ciclovias a qualquer preço (e o preço atual é de R$ 377 mil por quilômetro) recorrem à “falácia do escocês”:

Ciclista de verdade não pode ser contra ciclovia.

A tese central dessa ala, que inclui participantes do Comitê Gestor da Política de Mobilidade Urbana por Bicicletas no Distrito Federal, é de que a luta pelas ciclovias na capital é antiga e, por isso, qualquer coisa é melhor do que nada. Chegam a dizer, literalmente, que é preferível deixar fazer errado, para depois consertar.

Como a longa série deste blog já mostrou, consertar pode ser muito mais difícil do que fazer, mas não é só: existem outras falhas nessa linha de raciocínio.

Em primeiro lugar, ao contrário do que se acredita comumente (e do que muitos pregam às vezes com má-fé), ciclovia não é a única saída para a inclusão da bicicleta como meio de transporte. O ciclista pode se deslocar em ciclofaixas ou mesmo compartilhando a via com os automóveis, de modo absolutamente seguro, desde que exista planejamento viário, orientação e respeito no trânsito. [Leia mais aqui.]

Outra questão é que, por mais que se defenda a mobilidade por bicicleta, ninguém pode, ou deve, usar isso para justificar a violação de leis. Uma das denúncias em relação ao projeto do GDF é um possível desrespeito ao tombamento e às áreas verdes da cidade. Não se sabe se a queixa procede, mas a única forma de obter respostas é colocar as perguntas, até porque é praticamente impossível conseguir acesso aos documentos atualizados das ciclovias. O que nos leva à…

Falta de transparência. O GDF não responde a nenhum questionamento sobre a ciclovia. A despeito das facilidades oferecidas pela internet, para conseguir dados técnicos sobre traçados e planos de integração, por exemplo, é preciso embrenhar-se (fisicamente) pela burocracia distrital – e sem garantia de sucesso. Por que esses documentos não estão disponíveis na rede? Não se sabe, até porque, como dito, o GDF não responde.

Mas a coisa fica pior. Integrantes do próprio comitê de mobilidade por bicicletaCicloativistas têm insinuado em fóruns de discussão virtuais que quem “não participou da luta pelas ciclovias”, iniciada muitos anos atrás, não pode agora “atrapalhar”. É uma concepção revolucionária da democracia participativa: quem não briga desde o início, e no lugar “certo”, não pode reclamar. Não importa que seja ciclista, contribuinte, cidadão. Só os realmente engajados podem opinar.

O pano de fundo da resistência ao debate fora dos gabinetes é o lugar-comum de que é preciso “saber fazer política” para conquistar avanços. Trata-se, obviamente, de uma noção antiga do que seja política, ainda que talvez adequada à realidade do DF. O que não deixa de ser espantoso é que pessoas que pedalaram tanto para mudar a cidade hoje se contentem em se adaptar.

Em resumo, o que se põe em dúvida aqui não são as ciclovias, mas aonde elas vão nos levar.

CORREÇÃO EM 18/5/2012: O blog afirmou, incorretamente, que membros do Comitê Gestor da Política de Mobilidade Urbana por Bicicletas no Distrito Federal teriam “insinuado em fóruns de discussão virtuais que quem ‘não participou da luta pelas ciclovias’, iniciada muitos anos atrás, não pode agora ‘atrapalhar'”. Não há fundamento para dizer isso.

A festa das ciclovias

De tempos em tempos, o Governo do Distrito Federal, independentemente de partido no poder, refesteja o projeto milionário das ciclovias na capital. Nos últimos meses, as máquinas vêm abrindo caminho em diversas regiões, enfrentando a chuva e retirando a vegetação, para satisfação de muitos moradores. Serão, afinal, 600 km de “ciclovias e rotas cicláveis” para oferecer uma nova opção de transporte à população.

Será?

As ciclovias não são milagrosas. Não mudam por si só a mentalidade de pessoas que se acostumaram a ver o carro como um direito e garantia fundamental – ainda que seja para ir à padaria. Não acabam, sozinhas, com o desconhecimento da lei. Não bastam para criar um espírito de tolerância e cooperação no trânsito.

Desde que vim morar aqui ouço que a paixão local pelo automóvel se deve apenas à “falta de transporte público”. E sempre me pergunto se haveria de fato uma mudança significativa se, num passe de mágica, um governador resolvesse corrigir a vergonha que são os ônibus e até o metrô da capital. Haveria?

A história é parecida com o uso da bicicleta: as pessoas dizem admirar quem pedala de um lado para o outro, mas quase como heróis tresloucados, nunca como seres humanos normais. Tudo seria diferente, esclarecem, se houvesse mais segurança, vestiário no trabalho, ciclovias…

Vai passar uma quase na minha porta. Quero ver quantas pessoas de verdade virão atrás.

Bicicletas no mapa

Nove grandes cidades do Canadá devem ganhar esta semana um recurso extra do Google Maps que mostra os caminhos disponíveis aos ciclistas. Além das indicações habituais, aparecem destacadas ciclovias, ciclofaixas e vias de tráfego reduzido. O serviço não é novidade: em março deste ano, o Google lançou o mesmo serviço para mais de 150 cidades dos EUA.

Google Maps destaca, em verde, caminhos indicados para ciclistas em Portland (EUA).