Arquivo do mês: agosto 2011

Imagens (X)

Bicimala na janela. Pamplona, Espanha. Foto do blog.

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Dicas para pedalar no trânsito

Uma das maiores barreiras à adoção da bicicleta como meio de transporte cotidiano é o medo de pedalar no trânsito. Muita gente hesita em embarcar nessa “missão suicida” e, quando finalmente resolve “se arriscar”, pensa que o melhor é fugir dos carros: usar ciclovias, caminhos improvisados, calçadas. A verdade é que essas quase nunca são boas opções. Pedalar na calçada, por exemplo, é lento, leva a uma disputa com os pedestres e pode até configurar uma infração de trânsito.

As regras básicas de como pedalar com segurança no trânsito estão reproduzidas em vários sites: seguir o sentido do tráfego, andar no bordo direito da pista (mas não colado no meio-fio), usar equipamentos de segurança… Uma boa lista inicial de referências pode ser encontrada no Transporte Ativo.

Acho pessoalmente que os dois pontos mais importantes são visibilidade e comunicação. Embora não faltem motoristas agressivos, imprudentes e irresponsáveis, a maior parte das situações de perigo ocorre quando os ciclistas ou suas manobras não são percebidos. Por isso, é indispensável ser notado, o que pode ser conseguido com uso de roupas e acessórios chamativos (camisas claras ou coloridas, coletes, tornozeleiras reflexivas) e, à noite, de luzes e refletores. Também é preciso deixar sempre claro o que se pretende fazer: se a ideia é virar num cruzamento, é uma boa tentar avisar aos motoristas, por meio de gestos ou até verbalmente.

Às vezes, porém, nem tomando todos os cuidados a pessoa se sente segura e confortável pedalando com os carros. E pedalar com receio e hesitação é o cenário mais preocupante possível. O melhor, nesse caso, é desistir e deixar para uma próxima vez – quem sabe na companhia de alguém mais experiente até se ganhar confiança.

Hits do pedal

O excelente blog I Love Bicis, do jornal espanhol El País, publicou uma lista de dez músicas relacionadas de alguma forma às bicicletas. A parada elaborada pelos blogueiros se restringiu ao idioma inglês, mas a música brasileira também tem seus hits, como o “clássico” de Marcos Valle, citado abaixo. (Quem topa iniciar uma lista tupiniquim colaborativa?)

A lista do I Love Bicis:

1. Bicycle race, Queen
2. Bicycle song, Red Hot Chili Peppers
3. It’s a beautiful day, Beach Boys
4. Apology song, The Decemberists
5. Trilha sonora de As grandes aventuras de Pee Wee, Danny Elfman
6. Tour de France, Kraftwerk
7. Broken bicycles, Tom Waits
8. Trilha sonora de E.T., John Williams
9. Bicycle, bicycle, you are my bicycle, Be Your Own Pet
10. Cycling is fun, Shonen Knife

Salvando vidas

O uso de bicicletas salva vidas. Essa é a conclusão de um estudo feito pelo Centro de Pesquisa em Epidemiologia Ambiental de Barcelona (Creal) que avaliou o impacto do sistema de bicicletas públicas da cidade (Bicing). Segundo os pesquisadores, em 12 meses, o Bicing evita 12 mortes e reduz a emissão de dióxido de carbono em 9 mil toneladas. Os resultados do estudo podem ser conferidos aqui (em espanhol).

Vélô Toulouse

Viajar a alguns países da Europa é triste para quem espera há anos um bom sistema de bicicletas públicas no Brasil. Na França, por exemplo, os empréstimos funcionam de Paris, com 2,2 milhões de habitantes (quase 12 milhões na “Grande Paris”), a Pau, com 84 mil, passando por Lyon, Marselha, Nantes, Dijon, Caen… Os sistemas são operados por duas empresas, a JCDecaux e a Clear Channel, ambas com ampla atuação também por aqui, no segmento de mobiliário público.

No início do mês, usei durante 24 horas as bicicletas de uma dessas cidades francesas, Toulouse (440 mil habitantes), e depois de fazer várias viagens com um custo total de € 1 quase tive vontade de chorar. O sistema funcionou de maneira impecável e todas as bicicletas escolhidas estavam em boas condições.

Retirando bicicleta na estação do Vélô Toulouse. Foto do blog.

São quatro opções de assinatura do serviço: por dia (€ 1), por semana (€ 5), por mês (€ 10) e por ano (€ 25). Nos dois primeiros casos, é preciso ter um cartão de crédito, para pagar a taxa e liberar uma pré-autorização de débito de € 150 em caso de não-devolução da bicicleta. Nos planos mensal e anual, voltados a moradores da cidade, é preciso fazer uma inscrição e fornecer uma caução no mesmo valor de € 150.

Pegar a bicicleta é fácil: de posse do código temporário (diário ou semanal) ou do cartão Vélô Toulouse (mensal ou anual), o usuário vai até uma estação, digita número e senha, escolhe uma bicicleta disponível e já pode sair pedalando. Os primeiros 30 minutos de uso são gratuitos. Os 30 minutos subseqüentes custam € 0,50, mas é difícil ultrapassar o prazo. Em uso turístico, com os inevitáveis “acidentes de percurso”, meu empréstimo mais demorado foi de 28 minutos.

Para devolver a bicicleta, basta acoplá-la à estação, que faz automaticamente o reconhecimento e conclui o período de empréstimo. Ao pegar outra bike, na mesma estação ou em outra, o usuário tem direito a mais 30 minutos gratuitos.

As bicicletas, pesadonas mas confortáveis, incluem acessórios como luzes a dínamo e cadeado. Há 247 estações espalhadas pela cidade, e é muito difícil não encontrar uma bike à disposição, embora aconteça. Outro possível problema é não haver espaço vago para devolver a bike – nesse caso é necessário procurar outra estação. O serviço funciona 24 horas.

A comparação com o sistema de aluguel Samba (Pedala Rio), o mais conhecido no país, é constrangedora. O passe diário custa R$ 10 (€ 4,35), e o mensal, R$ 20 (€ 8,70). A primeira hora é gratuita, mas o preço da hora excedente é de R$ 5 (€ 2,17). A pior parte: todas as 19 estações do serviço, espalhadas pela Zona Sul do Rio de Janeiro, estão atualmente “em manutenção”.

Pesquisa: na sua opinião por que lá funciona e aqui não?