Arquivo da tag: Brasília

Imagens (XXII)

Memorial JK. Foto do blog.

Memorial JK. Foto do blog.

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Brasília testa bikes públicas

Foi testado nesta quinta-feira (17) o sistema de bikes públicas que deve funcionar em Brasília. Serão, segundo o governo local, 40 estações alimentadas por energia solar, com 10 bicicletas cada.

De acordo com texto divulgado pela agência de notícias oficial, o uso do sistema custará apenas R$ 10 anuais, desde que não seja ultrapassado o tempo de uma hora por viagem.

No entanto, no popular Bike Rio, implementado pela mesma empresa que propôs o sistema da capital (Serttel), o custo é de R$ 10 por mês ou R$ 5 por dia.

Se a parceria entre GDF e Serttel for confirmada, o “Bike Brasília” pode começar a sair do papel em 30 dias, garantiu o secretário de Governo, Gustavo Ponce.

Estação teste de bikes públicas foi montada no Palácio do Buriti. Foto: GDF.

Estação teste de bikes públicas foi montada no Palácio do Buriti. Foto: GDF.

Reflexão: ciclofaixa do lazer de Brasília

A ong Rodas da Paz divulgou texto sobre a ciclofaixa de lazer feita a toque de caixa em Brasília e as prioridades de uma verdadeira promoção da cultura cicloviária:

Uma reflexão da Rodas da Paz sobre as ciclofaixas de lazer

Nos últimos dias muita atenção tem sido dada as novas ciclofaixas de lazer. A questão central é: de que forma elas tem potencial para contribuir para a cultura cicloviária do DF? Deixamos alguns pontos para contribuir com essa questão e com o planejamento da nossa política de ciclomobilidade.

A ciclofaixa de lazer é uma ideia interessante por oferecer mais um espaço de lazer para o brasiliense e limitar o espaço viário dedicado aos carros. Contudo, é preciso lembrar que esta é uma política complementar para promoção do uso da bicicleta e que deve ter por objetivo o convívio harmônico e o respeito as diferentes opções de mobilidade urbana.

Para cumprirem seu papel, as ciclofaixas de lazer devem estar associadas a um projeto de valorização da cultura cicloviária. Isto significa promover campanhas massivas de educação dos ciclistas, motoristas e pedestres e de fiscalização sobre o cumprimento do CTB, principalmente no que diz respeito a noção de que a bicicleta é um veículo; assim como executar estratégias permanentes de moderação do tráfego e redução dos limites de velocidade.

Nesse sentido, as campanhas devem prioritariamente orientar os motoristas à obediência ao Código de Trânsito e para uma conduta de respeito ao ciclista e ao pedestre, promovendo a segurança e garantindo a proteção à vida. Isso quer dizer que os motoristas devem ser orientados a reduzir a velocidade e oferecer pelo menos 1,5m de distância em ultrapassagens e dar a preferência à bicicleta nos cruzamentos e nas entradas.

No entanto, há pouco que aponte nessa direção. Os panfletos distribuídos nas ciclofaixas de lazer, por exemplo, se restringem, até então, exclusivamente aos ciclistas, não sendo voltados aos motoristas. Do mesmo modo, não há sinalização nas ciclofaixas (nem nas ciclovias) que mostre que a preferência é do ciclista. No caso do sudoeste, a sinalização indica, contraditoriamente, a preferência dos veículos motorizados.

Lembramos também que os custos envolvidos nas ciclofaixas não são pequenos, pois é preciso sinalizar as vias, comprar cones e deslocar agentes para montar e desmontar a operação. Não é contraditório deslocar tamanho investimento para uma estrutura temporária de lazer, enquanto a infraestrutura permanente para transporte nas cidades satélites, onde há o maior número de usuários de bicicleta (e de acidentes), é precária?

Afinal, por que a sinalização da Ciclofaixa, que só funciona uma vez por semana em dia de baixo tráfego de carros, foi feita antes da sinalização das ciclovias em implantação, que são para uso diário no transporte?

Essas questões, que há tempos vem sendo apresentadas pela Rodas da Paz no Comitê Gestor da Política de Mobilidade Urbana por Bicicleta do DF, reforçam a necessidade de que a participação popular nesse processo seja mais efetiva. Afinal, os usuários de bicicletas e as organizações que lutam por um trânsito mais humano e uma mobilidade cidadã tem grande experiência prática e conhecimento no tema – que é muito recente no país.

Para promover a cultura cicloviária para além da contribuição positiva, mas limitada, das ciclofaixas de lazer, é urgente que o GDF promova a participação efetiva da sociedade e a mobilização dos que tem na bicicleta seu meio de transporte ou lazer, a exemplo de outras grandes cidades do Brasil.

Rodas da Paz, abril de 2013.

World Bike Tour em Brasília (II)

Com o encerramento das inscrições para o World Bike Tour de Brasília, que ocorre no dia 20 de abril, os interessados têm até a próxima quinta-feira (21) para pagar a taxa de R$ 250. A quantia dá direito a bicicleta, capacete, mochila e camiseta. E os organizadores afirmam, de maneira não muito simpática, que “só poderão participar no passeio ciclístico aqueles devidamente inscritos”.

O Arturo Alcorta, da Escola de Bicicleta, publicou uma completíssima avaliação da bicicleta usada no WBT 2013 de São Paulo, que deve ser a mesma de Brasília.

World Bike Tour em Brasília

Será realizado no dia 20 de abril o primeiro World Bike Tour de Brasília. O evento de promoção do uso da bicicleta, idealizado pela empresa portuguesa Sportis, já teve edições em Lisboa, Porto, Madri, São Paulo e Rio de Janeiro. A meta da organização é reunir 6 mil pessoas em passeio por um trajeto da Ponte JK ao Ginásio Nilson Nelson.

As inscrições estão abertas até 12 de março. Os participantes terão de pagar uma taxa de R$ 250 para receber bicicleta, capacete, camiseta e mochila, além do “número de peito”. Se houver inscritos além das vagas será feito um sorteio no dia 13 de março.

Ciclista contra ciclovia

O início da construção de 88,6 km de ciclovias no Distrito Federal tem provocado um debate acirrado entre “cicloativistas” e ciclistas em geral. Enquanto grupos comemoram o que consideram um avanço em termos de mudança de cultura e mobilidade urbana, outros apontam problemas como falta de planejamento e de transparência.

Infelizmente, quanto mais densos os argumentos contrários, mais os defensores das ciclovias a qualquer preço (e o preço atual é de R$ 377 mil por quilômetro) recorrem à “falácia do escocês”:

Ciclista de verdade não pode ser contra ciclovia.

A tese central dessa ala, que inclui participantes do Comitê Gestor da Política de Mobilidade Urbana por Bicicletas no Distrito Federal, é de que a luta pelas ciclovias na capital é antiga e, por isso, qualquer coisa é melhor do que nada. Chegam a dizer, literalmente, que é preferível deixar fazer errado, para depois consertar.

Como a longa série deste blog já mostrou, consertar pode ser muito mais difícil do que fazer, mas não é só: existem outras falhas nessa linha de raciocínio.

Em primeiro lugar, ao contrário do que se acredita comumente (e do que muitos pregam às vezes com má-fé), ciclovia não é a única saída para a inclusão da bicicleta como meio de transporte. O ciclista pode se deslocar em ciclofaixas ou mesmo compartilhando a via com os automóveis, de modo absolutamente seguro, desde que exista planejamento viário, orientação e respeito no trânsito. [Leia mais aqui.]

Outra questão é que, por mais que se defenda a mobilidade por bicicleta, ninguém pode, ou deve, usar isso para justificar a violação de leis. Uma das denúncias em relação ao projeto do GDF é um possível desrespeito ao tombamento e às áreas verdes da cidade. Não se sabe se a queixa procede, mas a única forma de obter respostas é colocar as perguntas, até porque é praticamente impossível conseguir acesso aos documentos atualizados das ciclovias. O que nos leva à…

Falta de transparência. O GDF não responde a nenhum questionamento sobre a ciclovia. A despeito das facilidades oferecidas pela internet, para conseguir dados técnicos sobre traçados e planos de integração, por exemplo, é preciso embrenhar-se (fisicamente) pela burocracia distrital – e sem garantia de sucesso. Por que esses documentos não estão disponíveis na rede? Não se sabe, até porque, como dito, o GDF não responde.

Mas a coisa fica pior. Integrantes do próprio comitê de mobilidade por bicicletaCicloativistas têm insinuado em fóruns de discussão virtuais que quem “não participou da luta pelas ciclovias”, iniciada muitos anos atrás, não pode agora “atrapalhar”. É uma concepção revolucionária da democracia participativa: quem não briga desde o início, e no lugar “certo”, não pode reclamar. Não importa que seja ciclista, contribuinte, cidadão. Só os realmente engajados podem opinar.

O pano de fundo da resistência ao debate fora dos gabinetes é o lugar-comum de que é preciso “saber fazer política” para conquistar avanços. Trata-se, obviamente, de uma noção antiga do que seja política, ainda que talvez adequada à realidade do DF. O que não deixa de ser espantoso é que pessoas que pedalaram tanto para mudar a cidade hoje se contentem em se adaptar.

Em resumo, o que se põe em dúvida aqui não são as ciclovias, mas aonde elas vão nos levar.

CORREÇÃO EM 18/5/2012: O blog afirmou, incorretamente, que membros do Comitê Gestor da Política de Mobilidade Urbana por Bicicletas no Distrito Federal teriam “insinuado em fóruns de discussão virtuais que quem ‘não participou da luta pelas ciclovias’, iniciada muitos anos atrás, não pode agora ‘atrapalhar'”. Não há fundamento para dizer isso.

A natureza humana aos gritos e buzinadas

Hoje resolvi dar uma pedalada um pouco mais longa, de quase 30 km, para ir à UnB. Na volta, vinha tranqüilo por trás do autódromo quando um carro passou e, do banco do carona, um ilustrado senhor deu um grito ao meu lado… sim, um grito, um berro, um brado, não sei se para me sacanear ou assustar, e então os dois partiram com a sensação de realização que só um ato desse tipo deve proporcionar.

Uns dez minutos depois, já chegando ao Eixo Monumental, passou por mim outro carro. Desta vez, em vez de um grito, uma buzinada de leve, e do banco de trás um sujeito sorriu e fez um sinal de positivo.

Recorro a essa historinha boba – mas verídica – para propor uma pergunta simples: quem é, afinal, o indivíduo atrás do volante do carro que passa ao lado do ciclista? Quem é o indivíduo no balcão da loja, na repartição pública, na sala de reuniões, na cela superlotada?

Não importa o que fizermos, os canalhas e os covardes continuarão existindo, pelo simples fato de sermos pessoas. Não há escola, não há desenvolvimento socioeconômico, não há pena de morte capaz de acabar com a natureza humana.

Mas há, sim, a escolha e o exemplo. E eu espero que você, quando passar por mim, escolha buzinar e fazer um sinal de positivo. Prometo seguir seu exemplo e retribuir.