Arquivo do mês: outubro 2010

Bicicultura 2010 em Sorocaba (SP)

Estão abertas as inscrições para o Bicicultura 2010, que acontecerá de 1º a 4 de dezembro, em Sorocaba (SP). O evento terá palestras e mesas-redondas com cicloativistas, especialistas em mobilidade, representantes de governos e convidados internacionais. Além disso, serão realizadas exposições de projetos de iniciativa pública e privada e, obviamente, passeios ciclísticos.

Sorocaba é um dos principais exemplos de promoção da bicicleta como meio de transporte no Brasil. A cidade tem um plano cicloviário que prevê 100 km de ciclovias (50 km prontos); oferta de bicicletários e paraciclos; programa de incentivo ao uso da bicicleta; e sistema de bicicletas públicas. As críticas existem, principalmente em relação ao foco exclusivo em ciclovias, em oposição às ciclofaixas, mas ainda assim se trata de um caso raro no país.

Paradinha

Uma breve nota pessoal.

3×2 com Pedro Cury, ciclista e fotógrafo

O que fazer quando sua bicicleta é roubada? O ciclista e fotógrafo Pedro Cury achava que “nada” não era a resposta certa e, em 2001, criou um Cadastro Nacional de Bicicletas Roubadas. A idéia é simples: a vítima do roubo ou furto envia um relato do ocorrido e, depois de uma verificação, o alerta é publicado na internet e repassado a lojistas de todo o Brasil. Além de aumentarem as chances de localização da bike, os relatos ajudam a entender o modo de agir dos ladrões e geram estatísticas úteis no combate ao crime. Hoje, o cadastro, que nasceu como uma seção do site Pedal.com.br, funciona em endereço próprio. E Pedro, aos 30 anos, formado em informática e gestão empresarial, garante que há novidades a caminho…

O cadastro realmente ajuda a recuperar bicicletas roubadas?
É difícil saber quantas bikes podem ter sido recuperadas indiretamente. Na maioria das vezes o dono não nos avisa da recuperação. Temos registro de apenas um caso em que a bike foi recuperada diretamente. O ladrão foi consertar a bicicleta em uma loja que tinha recebido o email com a notificação do roubo. O lojista então avisou à polícia e ao dono.

Como a idéia poderia melhorar? É necessária a participação do Estado num cadastro desse tipo?
Já temos plano de uma reformulação tecnológica. Novas funções serão criadas e melhores estatísticas. Porém, as funções essenciais já estão em funcionamento, como o envio de email para mais de 200 lojas. O que precisamos é de maior divulgação.

A participação do Estado pode se tornar interessante, porém não sei se existem órgãos organizados tecnologicamente para uma possível troca de informações. O que sei é que não existem dados oficiais sobre roubos de bicicleta no Brasil. O sistema tem capacidade de suprir essa necessidade caso seja necessário.

Você já foi vítima de furto ou roubo de bicicleta?
Felizmente, não, mas já tentaram me assaltar. A primeira tentativa foi há mais de dez anos… eu era adolescente e um cara maior pôs o pé na frente da bicicleta quando eu estava andando devagar, esperando o sinal abrir. Pude passar por cima do pé dele e fugir. A segunda foi no ano passado… Estava com quatro amigos, numa tarde de domingo, movimentada, num famoso parque no Rio. Eles estavam consertando um pneu furado e eu fiquei em movimento… Quando me dei conta havia quatro suspeitos sentados ao lado deles. Minha reação foi fugir e chamar a polícia. Porém, foi tarde…

A volta das amarelinhas

Não, não são camisas da seleção, nem pilhas Rayovac. Amanhã (18), voltam a circular no campus da Universidade de Brasília (UnB), as bikes do projeto Bicicleta Livre. Inicialmente, são 25 bicicletas, à disposição em pontos de grande circulação no campus. É só pegar, pedalar e deixar para o próximo num lugar também movimentado.

O Bicicleta Livre é um projeto de extensão, viabilizado com ajuda de voluntários, que tem como objetivo incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte. Segundo o twitter do projeto, há mais de 60 bikes prontar para circular, que serão liberadas aos poucos.

Imagens (VII)

Idéia interessante num festival (in)sustentável. Foto do blog.

Pedalada cívica

Nada como um dia estranho para relembrar o prazer de ir de bicicleta ao trabalho. Na ida, movimento acima do normal para uma tarde de domingo, provável reflexo dos últimos minutos do horário de votação. Na volta, meia dúzia de carros, algumas viaturas policiais, dois moradores de rua, um catador empurrando um carrinho de supermercado. Entre uma coisa e outra, jornada de umas nove horas, terminada à uma e meia da manhã.

A madrugada costuma ser o horário preferido dos jovens abestalhados de Brasília para seus rachas barulhentos. Cruzar de bicicleta as imensas avenidas da capital, como um lunático solitário, nesse terreno inimigo, não deixa de ser uma satisfação. No caminho, não vi nenhum desses exibicionistas, e eles certamente também não me viram.

No fim, cheguei incólume em casa, a tempo de dar mais uma olhadinha na repercussão dos resultados das eleições. A maioria das pessoas espera que os homens e mulheres eleitos neste domingo mudem suas vidas. (Ou não.)

Mas às vezes não é preciso esperar. Basta aproveitar um dia estranho para fazer algo que valha a pena.