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Ciclovia do Sudoeste: jogo dos erros (VI)

De acordo com o Jornal Local, da TV Brasília, o servidor público Rubem Azevedo fraturou o braço na última sexta-feira (9) ao passar por um buraco na ciclovia do Sudoeste. Para quem não ligou a obra à pessoa (jurídica), ou não se lembra da extensa série do Pedaladas, trata-se do empreendimento tocado como “contrapartida” pela empresa privada que pretende construir uma nova quadra residencial no bairro.

Desde o início do ano, relatos de problemas graves na ciclovia tem sido divulgados, principalmente em blogs. Ainda em janeiro, o arquiteto “responsável” pela obra disse ao Correio Braziliense que todas as falhas seriam corrigidas em 15 dias, prazo devidamente esquecido, inclusive pelo jornal que fez a denúncia.

Buraco na ciclovia, na altura da SQSW 101, era velho conhecido. Foto do blog.

O buraco que vitimou Rubem na altura da SQSW 101 é velho conhecido, a exemplo de rachaduras, falhas de sinalização, erros de projeto e remendos muito mal feitos, para dizer o mínimo. (Na verdade, era velho conhecido, porque no dia seguinte à exibição da reportagem foi tapado às pressas.)

Apesar dos óbvios riscos à segurança dos ciclistas – e ao bolso do contribuinte – ninguém se manifesta oficialmente sobre o assunto. O governo do Distrito Federal e a administração regional do Sudoeste/Octogonal disseram, aqui e ali, que não aceitariam obra mal-feita. A empresa, porém, age como se a ciclovia estivesse pronta e em excelentes condições. A tática, ao que parece, é aguardar que tudo caia no esquecimento.

No caso do Rubem, e dos 18 pinos que agora leva no braço, vai ser meio difícil.

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Adolescente

Depois do longo recesso, decidi voltar a pedalar, desta vez na pista mansa do Parque da Cidade. Nos últimos fins de semana, de bermuda e fones nos ouvidos, curtia minha crise de identidade, entre tentar recuperar um vigor pós-adolescente e assumir um perfil tiozão em forma (redonda). Pois hoje a dúvida se desfez. E se desfez num segundo – num átimo, diria meu lado matusalênico – de distração.

Caí de cara no chão, aflito com o deslizar interminável, ferido de morte no ponto mais fraco de um homem: o orgulho. De joelho ralado e roupa imunda, juntei os cacos e recebi a generosa solidariedade de um casal, que insistia em que eu buscasse auxílio numa farmácia ou posto médico. Agradeci a atenção e, dolorido, fui embora. Àquela altura, ainda não sabia, mas havia tomado uma decisão:

Só volto lá com minha mãe. E uma bicicleta com rodinhas.

Entrelinhas

Uma notinha discreta publicada na versão online do Jornal de Brasília, no último dia 17, revela aspectos relevantes que geralmente passam despercebidos à maioria das pessoas.

Acidente na octogonal fere ciclista

Um ciclista bateu na traseira de um carro Clio, às 19h30, nas proximidades da Octogonal. O motorista do carro, Marcelo Ferreira Gomes, 39, estava acompanhado de sua esposa e indo para Goiânia. Ao parar na faixa de retenção, o ciclista que estava atrás não percebeu que o carro parou. O ciclista foi encaminhado ao Hospital de Base, com ferimentos na boca e os passageiros do veículo não sofreram nada.

Em primeiro lugar, o relato, se fiel à realidade, mostra que nem sempre o motorista é culpado em colisões com bicicletas. No caso, tudo leva a crer que o ciclista se distraiu, abalroando o automóvel por trás.

Por outro lado, a nota evidencia, mais uma vez e de modo até cômico, a constante preocupação com o lado que, culpa à parte, é invariavelmente o mais protegido num choque entre carro e bicicleta. Informar que “os passageiros do veículo não sofreram nada” só pode ser piada ou prova de um total desconhecimento das leis da física.