Arquivo do mês: outubro 2011

Desta vez dá Samba?

A Prefeitura do Rio relançou, na semana passada, o sistema de aluguel de bicicletas Bike Rio (ex-Samba). A promessa desta vez é chegar ao fim do ano com 60 estações e 600 bicicletas à disposição dos usuários. Obviamente, a torcida é sempre para que dê certo, não só pelo serviço em si, mas também pela contribuição para a disseminação de uma cultura de uso da bike como transporte.

Por outro lado, depois de ler sobre o “novo” Bike Rio, as dúvidas são inevitáveis. Por exemplo, por que insistir num sistema tão complicado (da empresa pernambucana Serttel), com base em telefone celular, quando a maioria dos serviços no mundo usa cartões ou tíquetes? Ou, ainda, por que, apesar do patrocínio ostensivo do Itaú, o Bike Rio tem preços comparáveis aos de similares estrangeiros (R$ 10 por mês, R$ 5 por dia e R$ 5 por hora excedente ao período “grátis” de 60 minutos)? E, finalmente, por que abandonar a idéia de alcançar as zonas Norte e Oeste, mantendo o serviço como regalia da Zona Sul?

Como é improvável que alguém responda às perguntas, o jeito vai ser esperar, na torcida para que a coisa funcione a contento nesta segunda tentativa.

Obs.: Quem já tiver experimentado mande um relato para cá!

GM x ciclistas

A General Motors conseguiu atrair a ira de ciclistas americanos com um surreal anúncio dirigido a estudantes universitários. Ao lado de uma foto mostrando uma mulher sorridente num carro e um homem constrangido numa bicicleta, um texto oferece desconto especial a potenciais compradores, concluindo com chave de ouro: “Pare de pedalar… comece a dirigir.”

A GM logo veio a público para dizer que “não tinha intenção de ofender ninguém” e que suspenderia a veiculação do anúncio…

Hertz = bicicletas

A Hertz, uma das maiores locadoras de automóveis do mundo, agora oferece aluguel de bicicletas. É verdade que, por enquanto, são apenas bikes elétricas, mas não deixa de ser um fato interessante. Em Londres, o aluguel diário sai por 20 libras (R$ 55), enquanto na Espanha custa de 24 a 28 euros (R$ 58 a R$ 67). As bicicletas são das marcas Ultra Motor (Londres) e Flyer (Espanha).

Bom exemplo (ignorado)

Uma das principais reclamações das pessoas que pedalam, ou gostariam de pedalar, até o trabalho é a falta de bicicletário e vestiário. Empresas e poder público, quando não fazem ouvido de mercador, reclamam de custos, espaço escasso e basicamente qualquer outra desculpa que aparece pela frente.

Conheçam, então, o McDonald’s Cycle Center, localizado no Millenium Park, em Chicago.

Por US$ 169 por ano (cerca de R$ 300 ou menos de R$ 1 por dia), o usuário tem direito a estacionamento 24 horas, com chuveiro e armário, e uso do sistema de bicicletas públicas. Para os não-membros, nos horários de maior movimento, há 100 vagas de estacionamento livre (grátis). Além disso, o espaço oferece serviços pagos à parte, como manutenção, aluguel de bikes e passeios guiados.

Tudo isso custou à administração pública de Chicago US$ 3,2 milhões (R$ 5,6 milhões). Parece muito, mas, só para pôr em perspectiva, um Estádio Nacional de Brasília (R$ 800 milhões) daria para construir pelo menos 140 instalações desse tipo, se mantido o custo. Para piorar, ou na verdade melhorar, o McDonald’s pagou US$ 5 milhões para botar seu nome no lugar por 50 anos. E é só o nome mesmo: o valor não garante uso de nenhum espaço público e nem mesmo interferência na apresentação visual do Cycle Center.

Veja o vídeo da Streetfilms e tente não chorar.

Cemitério de bicicletas

Para que serve um monte de bicicletas abandonadas? Para doação? Para projetos comunitários? Para treinamento de mão-de-obra? Certamente não para ficar em cima de um caminhão pegando poeira e chuva.

As bicicletas da foto abaixo – e o imenso caminhão embaixo delas – estão no depósito da Polícia Civil do Distrito Federal localizado no Setor de Áreas Isoladas Sudoeste (Parque da Cidade).

Bicicletas abandonadas em depósito da Polícia Civil. Foto do blog.