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Bicicletas demais?

O uso da bicicleta pode crescer tanto a ponto de virar um problema? Sim, mas, por enquanto, só no Reino da Dinamarca. Em Copenhague, capital do país, 36% dos moradores usam a bike para ir à escola ou ao trabalho, e a meta é chegar a 50% até 2015. O resultado é que, na hora do rush, os ciclistas têm de brigar por espaço nas (amplas) ciclofaixas. “Os ciclistas estão se tornando mais agressivos e imprudentes no trânsito. Vejo cada vez mais gente pondo a si e a outras pessoas em situações perigosas”, diz Frits Bredal, da Federação Dinamarquesa de Ciclistas. Parte dos ativistas teme, porém, que os problemas sejam manipulados para enfraquecer o ambiente “pró-ciclista” de Copenhague.

[Achado no ótimo Bike blog do jornal The Guardian.]

3×2 com Flávio Deslandes, designer

Muito antes de se tornar uma “nova moda”, a bicicleta de bambu povoava os pensamentos do carioca Flávio Deslandes, designer formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Seu primeiro protótipo foi apresentado ainda durante o curso de graduação – em 1998. Agora, vivendo em Copenhague (Dinamarca), Flávio, de 37 anos, produz… bikes de bambu.

Matéria recente do New York Times apontou um crescimento na popularidade das bicicletas de bambu. Como alguém que já trabalha com esse conceito há mais de 15 anos se sente ao ler esse tipo de matéria?
Ainda lembro que naquela época as pessoas riam quando eu falava que estava desenvolvendo uma bicicleta de bambu… Mas eu sabia que esse dia ia chegar. Sempre achei muito impactante a mensagem que uma bicicleta de bambu podia passar, a idéia de construir baseado nos princípios de sustentabilidade utilizando um produto também sustentável. Acho que ela passa uma lição muito interessante de como podemos pensar os objetos, os materiais utilizados e sua construção.

Modelo Bamboo Fixie: roda fixa aro 700. Foto de divulgação.

O modelo mais barato à venda em seu site custa 2.200 euros (R$ 5.060). Qual seria um preço viável para as bikes de bambu se fossem vendidas em larga escala?
Nossas bicicletas são feitas a mão na Dinamarca, e o preço é calculado de acordo com isso. Talvez no caso de um modelo mais popular feito em larga escala, no Brasil, por exemplo, esse preço pudesse baixar para 600-1000 euros.

Copenhague é considerada a cidade mais amigável aos ciclistas no mundo. Qual foi sua reação ao chegar à capital dinamarquesa, em 2000?
Eu comprei uma máquina para tirar fotos das pessoas andando de bicicleta. Era difícil acreditar, parecia um paraíso para se andar de bicicleta. Percebi que era um conjunto de coisas que tornava isso viável: alto nível de educação, igualdade social e econômica, respeito e hierarquia no trânsito (as bicicletas tem prioridade sobre os carros), investimento em infra-estrutura… Acho que qualquer governo que queira implementar o uso da bicicleta em sua cidade deveria visitar Copenhague.

Cidades das bicicletas

O site Tonic publicou uma lista das cinco cidades mais amigáveis ao uso da bicicleta como meio de transporte. A seleção, recém-saída do forno, é uma espécie de resumo das muitas listas semelhantes encontradas na internet. Abaixo, as justificativas dadas pelo site, em tradução livre (e apressada):

1. Copenhague, Dinamarca
A cidade com a sexta maior qualidade de vida no mundo também registra o maior número de ciclistas. Coincidência? Provavelmente não. Na “Cidade das Bicicletas”, praticamente todo morador tem uma. Copenhague oferece empréstimo gratuito de bicicletas e ciclovias com sinalização própria. Há até um bairro – Christiania – completamente livre de carros. E, como as autoridades planejam dobrar os investimentos em infra-estrutura para bicicletas nos próximos três anos, a cidade campeã só tende a melhorar.

2. Amsterdã, Holanda
Amsterdã, conhecida por muitos como a capital mundial das bicicletas, tem 400 km de fietspaden (ciclovias e ciclofaixas), a maior parte com sinalização própria e placas que dizem Uitgezonderd (exceções), para indicar que bicicletas e motonetas estão dispensadas de obedecer às restrições de trânsito. A cidade está construindo um estacionamento para 10 mil bicicletas na estação central de trens.

3. Davis, Estados Unidos
Davis, uma das primeiras cidades dos EUA a iniciar um planejamento de fato e a incorporar as bicicletas ao seu sistema de transporte, tem cerca de 160 km de ciclovias e ciclofaixas, de acordo com o site Virgin-Vacations. Está na categoria platinum da lista de cidades amigáveis organizada pela Bicycle Friendly Community. Há uma bicicleta até em seu emblema oficial. Como a Universidade da Califórnia em Davis mantém uma proibição quase total à circulação de carros no campus e os moradores decidiram acabar com os ônibus escolares, o uso da bicicleta no transporte é maciço. E a maioria das pessoas não se importa em pedalar, já que o terreno plano e o clima ameno tornam a atividade prazerosa.

4. Barcelona, Espanha
O serviço Bicing, lançado em 2007, permite que moradores e turistas solicitem um cartão para retirar uma bicicleta em qualquer dos cerca de cem pontos que se espalham pela região metropolitana, usá-la dentro dos limites da cidade e devolvê-la na mesma rede de estações. Também há, em Barcelona, um “anel verde” para ciclistas em torno da cidade e 3.250 vagas para bicicletas nas ruas. (A cidade está construindo uma grande garagem subterrânea para bicicletas.) São duas semanas por ano dedicadas à bicicleta: a Semana da Mobilidade Sustentável e Segura, em setembro, que inclui a celebração do Dia Mundial Sem Carro (22), e a Semana da Bicicleta, em maio, quando se realiza o Festival da Bicicleta. Os ciclistas dispõem, ainda, de ciclovias e ciclofaixas permanentes na cidade.

5. Portland, Estados Unidos
As vias para bicicletas em Portland passaram de 100 km para 400 km desde o início da década de 1990. O uso da bicicleta quadruplicou no período, sem elevação do número de acidentes. A estatística impressionante deve-se, provavelmente, à forte cultura ciclística da cidade e, desde 2000, ao programa Create a Commuter. A iniciativa, que ajuda a qualificar adultos de baixa renda, promove a bicicleta como um meio de transporte barato e confiável, oferecendo gratuitamente aos participantes cinco horas de treinamento em manutenção e segurança, além de uma bicicleta totalmente equipada – com luzes, cadeado, capacete, bomba de ar, ferramentas, mapa e proteção contra a chuva.