Arquivo da tag: ciclovia

Imagens (XXII)

Memorial JK. Foto do blog.

Memorial JK. Foto do blog.

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Belém: criatividade sem limites

Muitas cidades, na ânsia de demonstrar uma “preocupação” com a mobilidade urbana, têm feito intervenções urbanas completamente disparatadas, como ciclovias mal planejadas (e executadas) que ligam o nada ao lugar nenhum.

Mas o exemplo de Belém beira o surrealismo.

Segundo relatos da imprensa e de cidadãos, a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob) resolveu asfaltar as calçadas da Av. Almirante Barroso, com o intuito de criar “calçadas compartilhadas”.

É exatamente isso: a Prefeitura, para incentivar o uso de bicicletas, invadiu a área destinada aos pedestres.

Matéria do Diário do Pará traz explicações ainda mais inacreditáveis. A Semob afirma, por exemplo, que a tal calçada compartilhada é um recurso muito utilizado quando não há espaço para ciclofaixa na pista. E garante que, após a intervenção, ainda sobrarão 1,5 metro para os pedestres (!).

É difícil até comentar.

Imagens (XVIII)

Ciclovia imaginária na orla de João Pessoa. Foto do blog.

Ciclovia imaginária na orla de João Pessoa. Foto do blog.

Imagens (XV)

Consertando o poste e %$*#&$@ a ciclovia. Sudoeste, DF. Foto do blog.

Ciclovia do Sudoeste: jogo dos erros (epílogo)

Desde o início do ano, é um mistério a situação da primeira fase da ciclovia do Sudoeste, sob responsabilidade de um consórcio que pretende construir uma nova quadra residencial no bairro. Em janeiro, um arquiteto da empresa chegou a prometer a entrega em “15 dias”, mesmo diante de falhas evidentes – e graves – na execução da obra. Pressionada, a Administração do Sudoeste/Octogonal garantiu que só receberia a ciclovia em condições adequadas, naturalmente sem especificar o que isso significava. E desde então não se manifestou mais a respeito do assunto.

Mas, afinal, por que o recebimento da obra é tão importante? Não seria apenas um detalhe, uma formalidade, uma providência sem significado real para o cidadão?

– A entrega da obra, longe de ser um mero detalhe, marca a transferência da responsabilidade da empresa para a administração pública. Ou seja, se houver um dano à ciclovia até a entrega, mesmo que causado por terceiros, é a construtora que arca com o prejuízo; se houver um dano depois da entrega, é a administração que fica com a conta. Obviamente, defeitos preexistentes, especialmente os ocultos, continuam sendo de responsabilidade da empresa. No mundo real, porém, nem sempre é fácil provar a diferença entre uma e outra coisa.

– A entrega, ou melhor, o recebimento da obra pelo gestor do contrato tampouco é mera formalidade. Como já foi dito aqui, “ao atestar o recebimento do objeto, deve o responsável verificar se o bem foi entregue, a obra executada ou o serviço prestado em conformidade com o contrato”. Em outras palavras, ao receber a obra formalmente, a administração não só assume a responsabilidade dali para a frente, como reconhece, em princípio, que a empresa cumpriu todas as exigências feitas, o que torna mais difícil uma cobrança posterior por falhas na execução.

Ciclovia na altura da SQSW 300: quem se responsabiliza? Foto do blog.

– Ter acesso às informações sobre o recebimento de uma obra pela administração pública é um direito do cidadão. Diante de um piso quebrado, de uma sinalização que cria risco à segurança, de um trecho simplesmente malfeito, com quem o sujeito reclama? A definição acerca do recebimento ou não da obra permite ao cidadão se desvencilhar, ao menos em parte, do jogo de empurra que costuma marcar as obras públicas de má qualidade.

Apesar de tudo isso, conseguir a informação, no caso da ciclovia do Sudoeste, é uma missão impossível. Nenhuma autoridade fala publicamente a respeito. E quanto ao serviço de atendimento ao cidadão… A Administração Regional do Sudoeste/Octogonal simplesmente não responde. Já o “GDF Responde”, ahn, responde: cobrando nome e endereço completo, telefone de contato e dados detalhados (mais ainda?), num prazo de 72 horas, sob pena de “finalização da solicitação”.

Bem, enquanto ninguém responde de verdade, um ciclista já botou 18 pinos no braço, outros tentam não ser atropelados nos cruzamentos mal sinalizados, e a maioria vai se contentando com uma ciclovia que, a despeito das rachaduras e obstáculos, é considerada melhor do que nada.

Vamos ver como essa história termina. Se é que termina.

Ciclovia do Sudoeste: jogo dos erros (VI)

De acordo com o Jornal Local, da TV Brasília, o servidor público Rubem Azevedo fraturou o braço na última sexta-feira (9) ao passar por um buraco na ciclovia do Sudoeste. Para quem não ligou a obra à pessoa (jurídica), ou não se lembra da extensa série do Pedaladas, trata-se do empreendimento tocado como “contrapartida” pela empresa privada que pretende construir uma nova quadra residencial no bairro.

Desde o início do ano, relatos de problemas graves na ciclovia tem sido divulgados, principalmente em blogs. Ainda em janeiro, o arquiteto “responsável” pela obra disse ao Correio Braziliense que todas as falhas seriam corrigidas em 15 dias, prazo devidamente esquecido, inclusive pelo jornal que fez a denúncia.

Buraco na ciclovia, na altura da SQSW 101, era velho conhecido. Foto do blog.

O buraco que vitimou Rubem na altura da SQSW 101 é velho conhecido, a exemplo de rachaduras, falhas de sinalização, erros de projeto e remendos muito mal feitos, para dizer o mínimo. (Na verdade, era velho conhecido, porque no dia seguinte à exibição da reportagem foi tapado às pressas.)

Apesar dos óbvios riscos à segurança dos ciclistas – e ao bolso do contribuinte – ninguém se manifesta oficialmente sobre o assunto. O governo do Distrito Federal e a administração regional do Sudoeste/Octogonal disseram, aqui e ali, que não aceitariam obra mal-feita. A empresa, porém, age como se a ciclovia estivesse pronta e em excelentes condições. A tática, ao que parece, é aguardar que tudo caia no esquecimento.

No caso do Rubem, e dos 18 pinos que agora leva no braço, vai ser meio difícil.

Ciclovia do Sudoeste: jogo dos erros (V)

Uma das minhas máximas preferidas é a que define um especialista como uma pessoa que sabe cada vez mais sobre cada vez menos e acaba sabendo tudo sobre nada. A predileção se deve não tanto ao seu conteúdo, que pouco tem de verdade, mas às possibilidades de aproveitamento da sua estrutura para aplicação em outros contextos.

Por exemplo, no que toca a relação entre o cidadão e a administração pública, não seria absurdo dizer que o brasileiro é um sujeito que aceita cada vez menos como se fosse cada vez mais e acaba aceitando nada como se fosse tudo.

Não há outra maneira de encarar a passividade do brasiliense diante da entrega iminente da ciclovia do Sudoeste como obra pronta e acabada. Um discurso comum é o de que os defeitos persistentes – rachaduras, buracos, sinalização errada, obstáculos – são apenas detalhes. Em linguagem mais clara: o povo, em vez de ficar reclamando, deveria agradecer por terem feito alguma coisa.

Um "pequeno" problema a ser entregue ao governo local. Foto do blog.

Por alguma razão insondável, é hábito aplicar às obras públicas um critério muito mais frouxo do que o usado nas relações privadas, quando o que vale é o cumprimento das obrigações de lado a lado. Cabe perguntar: se você contratasse um pedreiro para reformar o muro da sua casa e ele entregasse uma parede com rachaduras, saliências e concreto em várias tonalidades, você aceitaria?

Um "detalhe" no meio do caminho do ciclista. Foto do blog.

A regra é clara, Arnaldo. A obra deve ser entregue conforme as especificações definidas com antecedência e dentro das normas técnicas aplicáveis (especialmente as de segurança). Ah, mas como exigir que a empresa praticamente refaça tudo? Um bom começo é não recebendo uma obra repleta de defeitos.

[Outras postagens sobre o tema aqui, aqui, aqui e aqui. Vídeo do blog aqui.]