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Adolescente

Depois do longo recesso, decidi voltar a pedalar, desta vez na pista mansa do Parque da Cidade. Nos últimos fins de semana, de bermuda e fones nos ouvidos, curtia minha crise de identidade, entre tentar recuperar um vigor pós-adolescente e assumir um perfil tiozão em forma (redonda). Pois hoje a dúvida se desfez. E se desfez num segundo – num átimo, diria meu lado matusalênico – de distração.

Caí de cara no chão, aflito com o deslizar interminável, ferido de morte no ponto mais fraco de um homem: o orgulho. De joelho ralado e roupa imunda, juntei os cacos e recebi a generosa solidariedade de um casal, que insistia em que eu buscasse auxílio numa farmácia ou posto médico. Agradeci a atenção e, dolorido, fui embora. Àquela altura, ainda não sabia, mas havia tomado uma decisão:

Só volto lá com minha mãe. E uma bicicleta com rodinhas.

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Dia de cão

Na volta do trabalho, nesta quinta, levei minha primeira corrida de cachorros, no Parque da Cidade. Três vira-latas, até meio tímidos, saídos de um gramadinho atrás do Obcursos (guia de pronúncia para os forasteiros: óbi-cursos). Um mais abusado me seguiu, latindo, talvez por uns 100 metros. Nada emocionante.

Primeira vez

Nada como uma segunda-feira entre um domingo e um feriado para fazer a viagem inaugural de bicicleta ao trabalho. Como o teste havia acontecido sob condições extremamentes favoráveis, o dia enforcado (pelos outros) tornou a transição menos abrupta, ou seja, com menor risco de atropelamentos, freadas bruscas e acidentes em geral.

A ida foi surpreendentemente tranqüila. Levei pouco mais de 20 minutos da porta da minha casa ao estacionamento do trabalho. Segui pelo Eixo Monumental, sem emoção, saí em direção a W3, desci pela S2 e entrei por trás do Tribunal Superior Eleitoral. Pronto.

Favorecido pela seca, posso dizer, sem me limitar ao lugar-comum, que não deu nem para suar. Lavei o rosto, troquei de roupa e me apresentei ao serviço.

Como é que se atravessa na rotatória mesmo?

Como é que se atravessa na rotatória mesmo?

Minha criatividade se encarregou de tornar o retorno mais agitado. Resolvi pegar a S2 toda e voltar pelo Parque da Cidade. Acontece que a) a S2 até o Pátio Brasil é um inferno e b) o caminho pelo parque é mais longo em proporções lusitanas. Resultado: uma buzinada seguida de impropério, um carro fechando a passagem junto ao meio-fio e 40 minutos para um trecho que devia ter levado, no máximo, 30.

Impressões finais? Ciclovias cairiam bem em Brasília. Viver sem carro é possível. O trânsito, em qualquer intensidade e circunstância, é brutal.

E, claro, pedalar é bom demais.