Arquivo do mês: janeiro 2013

A bicicleta de Simone (e Toquinho)

Em 1983, Toquinho gravou um disco só com músicas para crianças, cada uma inspirada num brinquedo. Vários artistas fizeram participações especiais no LP (“Casa de brinquedos”) e coube a Simone a presença na faixa “A bicicleta” – e também estrelar o vídeo, gravado no Jardim Botânico do Rio, para o especial da TV Globo.

Na letra, de Toquinho e Mutinho, destaque para a terceira estrofe, que antecipa a “moda” das bicicletas.

B-I-C-I-C-L-E-T-A
Sou sua amiga bicicleta.

Sou eu que te levo pelos parques a correr,
Te ajudo a crescer e em duas rodas deslizar.
Em cima de mim o mundo fica à sua mercê
Você roda em mim e o mundo embaixo de você.
Corpo ao vento, pensamento solto pelo ar,
Pra isso acontecer basta você me pedalar.

B-I-C-I-C-L-E-T-A
Sou sua amiga bicicleta.

Sou eu que te faço companhia por aí,
Entre ruas, avenidas, na beira do mar.
Eu vou com você comprar e te ajudo a curtir
Picolés, chicletes, figurinhas e gibis.
Rodo a roda e o tempo roda e é hora de voltar,
Pra isso acontecer basta você me pedalar.

B-I-C-I-C-L-E-T-A
Sou sua amiga bicicleta.

Faz bem pouco tempo entrei na moda pra valer,
Os executivos me procuram sem parar.
Todo mundo vive preocupado em emagracer,
Até mesmo teus pais resolveram me adotar.
Muita gente ultimamente vem me pedalar
Mas de um jeito estranho que eu não saio do lugar.

B-I-C-I-C-L-E-T-A
Sou sua amiga bicicleta.

Imagens (XVII)

Bicicleta engolida por árvore em Vashon Island. Foto: sea turtle/Flickr.

Bicicleta engolida por árvore em Vashon Island (EUA). Foto: sea turtle/Flickr.

Para um 2013 mais comunitário

A nova elite, com carros próprios em quantidade suficiente para não se preocupar com o estado lamentável do transporte público, de fato destruiu as pontes que seus pais tinham atravessado à medida que as deixava para trás, esquecendo que essas pontes eram construídas e usadas socialmente – e que, se assim não fosse, ela mesma não teria chegado aonde chegou.

Em termos práticos, a nova elite global lavou as mãos em relação à questão do “transporte público. A “redistribuição” está definitivamente excluída, lançada à lata de lixo da história, junto com outros lamentáveis erros de julgamento que são hoje retrospectivamente responsabilizados pela opressão da autonomia individual e portanto também pelo estreitamento daquele “espaço” que todos, como gostamos de repetir, “precisamos cada vez em maior quantidade”. E portanto também está eliminada a comunidade, entendida como um lugar de compartilhamento do bem-estar conjuntamente conseguido; como uma espécie de união que supõe a responsabilidade dos ricos e da substância às esperanças dos pobres de que essa responsabilidade será assumida.

Zygmunt Bauman, Comunidade: a busca por segurança no mundo atual, tradução de Plínio Dentzien