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Bicicleta “vence” mais um intermodal

Entre as atividades de promoção da mobilidade urbana, na Semana Nacional de Trânsito, foi realizado na última segunda-feira (23) mais um Desafio Intermodal de Brasília.  E foi um dos participantes que usaram a bicicleta o que percorreu mais rápido o trajeto entre a QE 7, no Guará, e o Museu Nacional – uma distância que variou de 13 a 15 km de acordo com o modal.

Roberto Ramos, de 31 anos, levou 21 minutos e 50 segundos para vencer o percurso em cima de uma mountain bike. Ele ficou à frente, por exemplo, do participante que pegou um táxi (23 minutos e 30) e do que usou um carro particular (24 minutos e 10). Todos saíram do Guará às 7h57.

Obs.: O voluntário que faria o trajeto de moto – um potencial “vencedor” – não pôde participar.

Veja os resultados (leia mais aqui):

Bicicleta mountain bike: 21:50
Táxi: 23:30
Carro: 24:10
Bicicleta fixa: 24:35
Bicicleta fixa: 27:10
Bicicleta speed: 29:50
Bicicleta speed: 30:41
Bicicleta mountain bike: 34:26
Metrô + bicicleta urbana: 39:12
Ônibus: 44:09
Metrô: 55:17
A pé (corrida leve): 1:44:40
A pé (caminhando): 2:12:55

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Dicas para pedalar no trânsito

Uma das maiores barreiras à adoção da bicicleta como meio de transporte cotidiano é o medo de pedalar no trânsito. Muita gente hesita em embarcar nessa “missão suicida” e, quando finalmente resolve “se arriscar”, pensa que o melhor é fugir dos carros: usar ciclovias, caminhos improvisados, calçadas. A verdade é que essas quase nunca são boas opções. Pedalar na calçada, por exemplo, é lento, leva a uma disputa com os pedestres e pode até configurar uma infração de trânsito.

As regras básicas de como pedalar com segurança no trânsito estão reproduzidas em vários sites: seguir o sentido do tráfego, andar no bordo direito da pista (mas não colado no meio-fio), usar equipamentos de segurança… Uma boa lista inicial de referências pode ser encontrada no Transporte Ativo.

Acho pessoalmente que os dois pontos mais importantes são visibilidade e comunicação. Embora não faltem motoristas agressivos, imprudentes e irresponsáveis, a maior parte das situações de perigo ocorre quando os ciclistas ou suas manobras não são percebidos. Por isso, é indispensável ser notado, o que pode ser conseguido com uso de roupas e acessórios chamativos (camisas claras ou coloridas, coletes, tornozeleiras reflexivas) e, à noite, de luzes e refletores. Também é preciso deixar sempre claro o que se pretende fazer: se a ideia é virar num cruzamento, é uma boa tentar avisar aos motoristas, por meio de gestos ou até verbalmente.

Às vezes, porém, nem tomando todos os cuidados a pessoa se sente segura e confortável pedalando com os carros. E pedalar com receio e hesitação é o cenário mais preocupante possível. O melhor, nesse caso, é desistir e deixar para uma próxima vez – quem sabe na companhia de alguém mais experiente até se ganhar confiança.

Paz no trânsito

O que são 15 bicicletas juntas na rua? Para muitos motoristas, uma bagunça, uma procissão de desocupados empenhados na abominável missão de atrapalhar o trânsito. Passeio, protesto ou coincidência; não importa. Ciclista andando em grupo é arruaça, provocação, formação de quadrilha.

Pouca diferença faz se o Código de Trânsito Brasiliero classifica a bicicleta como veículo (art. 96) e que, como tal, esta “atrapalhe” o trânsito tanto quanto uma Variant em marcha lenta ou um caminhão-cegonha numa subida. Ou se o mesmo CTB determina que os veículos maiores e motorizados são responsáveis pelos menores e não motorizados (art. 29, § 2º).

Em termos de lei, a única lembrança do motorista cioso é a determinação de que as bicicletas devem circular nos bordos da pista (art. 58), regra freqüentemente desrespeitada nas esculhambadas aglomerações de ciclistas. Afinal, na hora de (des)qualificar os grupos sobre duas rodas, vale sempre o velho brocardo jurídico: aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei.

E, se a lei não se adequar aos fatos, que se mude a lei. Ou os fatos. Ou qualquer coisa. Menos o sacrossanto direito de dirigir em paz. Em paz.

Dicas para ciclistas

O Detran-DF produziu um material impresso bacana com dicas para os ciclistas pedalarem na cidade. Infelizmente, não achei versão digital no site do órgão, ou no do programa Pedala-DF. Então aqui vão as dicas:

1. Pedale sempre com muito cuidado e atenção, obedecendo e respeitando as leis de trânsito e as regras de circulação do ciclista.

2. Cuidado ao passar por carros estacionados. As portas podem abrir e causar acidentes.

3. Quando estiver em grupo, ande sempre em fila única.

4. Equipe sua bicicleta com luzes e adesivos reflexivos. Sua segurança pode estar garantida nestes simples detalhes.

5. Não conduza bicicletas fazendo malabarismos ou equilibrando-se apenas em uma roda.

6. Nunca pegue carona segurando outro veículo.

7. Use sempre roupas claras e capacete para proteção da cabeça, pois uma simples queda pode ser fatal.

8. Circule à direita da pista e próximo do meio-fio. Onde não houver ciclovia ou ciclofaixa, circule no mesmo sentido dos veículos.

9. Não conduza a bicicleta sem segurar o guidom com ambas as mãos, salvo, eventualmente, para indicação de manobras.

10. Não ande de bicicleta quando ingerir bebida alcoólica.

11. Trafegue sempre no sentido da vida. Trafegar na contramão aumenta o risco de acidentes com mortes e com ferimentos graves.

12. Nas zonas compartilhadas com automóveis, mantenha-se sempre à direita.

13. Cuidado nas proximidades das paradas de ônibus. Fique atento à aproximação de veículos e pedestres.

14. Pedestres têm prioridade sobre ciclistas. Lembre-se que você também é pedestre. Respeite para ser respeitado.

15. Antes de atravessar na faixa, desça da bicicleta.

16. Utilize os cruzamentos cicloviários sempre que disponíveis, mas atenção: você não tem a preferência! Por isso, aguarde o melhor momento para atravessar.

17. Aprenda a ouvir o trânsito. Não pedale com fones de ouvido. Use os ouvidos para acompanhar o que acontece a sua volta.

18. Faça revisão periódica em sua bicicleta e não ande com pneu careca.

19. Acene com o braço para indicar mudança de direção. Seja previsível: evite ziguezague ou mudança brusca de direção.

Metro e meio

Por falta de novidades na ida ao trabalho (e na volta também), prossigo com o curso condensado de legislação de trânsito, concentrado em veículos não-motorizados de duas rodas:

CAPÍTULO XV
DAS INFRAÇÕES

Art. 161. Constitui infração de trânsito a inobservância de qualquer preceito deste Código, da legislação complementar ou das resoluções do CONTRAN, sendo o infrator sujeito às penalidades e medidas administrativas indicadas em cada artigo, além das punições previstas no Capítulo XIX.

(…)

Art. 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta:

Infração – média;

Penalidade – multa.

Esse é um artigo mundialmente famoso por ser completamente desconhecido. Mesmo quem já ouviu falar do 161, nunca acreditou em sua existência, preferindo encará-lo como ovni, duende ou deputado-que-nunca-usou-cota-de-passagem-para-fins-particulares.

Pois é verdade. Na ausência de ciclovia, o ciclista não só pode andar “nos bordos da pista de rolamento” (art. 58), como deve ser protegido pelos automóveis. Proteger, aliás, é a palavra certa, como se vê no art. 29.

Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas:

(…)

§ 2º Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.

É difícil acreditar. No bom senso do legislador.

Anote.

Primeira vez

Nada como uma segunda-feira entre um domingo e um feriado para fazer a viagem inaugural de bicicleta ao trabalho. Como o teste havia acontecido sob condições extremamentes favoráveis, o dia enforcado (pelos outros) tornou a transição menos abrupta, ou seja, com menor risco de atropelamentos, freadas bruscas e acidentes em geral.

A ida foi surpreendentemente tranqüila. Levei pouco mais de 20 minutos da porta da minha casa ao estacionamento do trabalho. Segui pelo Eixo Monumental, sem emoção, saí em direção a W3, desci pela S2 e entrei por trás do Tribunal Superior Eleitoral. Pronto.

Favorecido pela seca, posso dizer, sem me limitar ao lugar-comum, que não deu nem para suar. Lavei o rosto, troquei de roupa e me apresentei ao serviço.

Como é que se atravessa na rotatória mesmo?

Como é que se atravessa na rotatória mesmo?

Minha criatividade se encarregou de tornar o retorno mais agitado. Resolvi pegar a S2 toda e voltar pelo Parque da Cidade. Acontece que a) a S2 até o Pátio Brasil é um inferno e b) o caminho pelo parque é mais longo em proporções lusitanas. Resultado: uma buzinada seguida de impropério, um carro fechando a passagem junto ao meio-fio e 40 minutos para um trecho que devia ter levado, no máximo, 30.

Impressões finais? Ciclovias cairiam bem em Brasília. Viver sem carro é possível. O trânsito, em qualquer intensidade e circunstância, é brutal.

E, claro, pedalar é bom demais.