Arquivo do mês: fevereiro 2014

Passeio por Brasília

Lançaram um passeio de bicicleta por Brasília. Ao ler a notícia, no site do governo local, achei que fosse um serviço público, mas, na verdade, é uma oferta de empresa privada, com preço de até R$ 150. Chama-se Brasília Bike Tour (não confundir com o World Bike Tour em Brasília) e inclui o empréstimo da bicicleta, capacete, água e companhia de guias. Opiniões?

Belém: criatividade sem limites

Muitas cidades, na ânsia de demonstrar uma “preocupação” com a mobilidade urbana, têm feito intervenções urbanas completamente disparatadas, como ciclovias mal planejadas (e executadas) que ligam o nada ao lugar nenhum.

Mas o exemplo de Belém beira o surrealismo.

Segundo relatos da imprensa e de cidadãos, a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob) resolveu asfaltar as calçadas da Av. Almirante Barroso, com o intuito de criar “calçadas compartilhadas”.

É exatamente isso: a Prefeitura, para incentivar o uso de bicicletas, invadiu a área destinada aos pedestres.

Matéria do Diário do Pará traz explicações ainda mais inacreditáveis. A Semob afirma, por exemplo, que a tal calçada compartilhada é um recurso muito utilizado quando não há espaço para ciclofaixa na pista. E garante que, após a intervenção, ainda sobrarão 1,5 metro para os pedestres (!).

É difícil até comentar.

Um relato sobre o World Bike Tour de São Paulo

O Leandro M.D. deixou relatos sobre o World Bike Tour de São Paulo, que, depois de um adiamento na véspera, ocorreu no domingo (2) em São Paulo. Matéria da Band descreve um cenário de muita confusão e desrespeito aos participantes, mas o Leandro passa informações mais detalhadas, do ponto de vida de quem vinha acompanhando havia tempos as peripécias dos organizadores.

Ele, já sabendo dos problemas na organização, decidiu apenas pegar a bicicleta (pela qual pagou com muita antecedência) e não participar do passeio. Nos comentários das matérias da Band e da Globo podem ser conferidos outros relatos igualmente indignados.

(Os textos são exatamente os publicados nos comentários. Os destaques, em negrito, são meus.)

Por sorte (sorte mesmo), consegui a bicicleta, e em um tempo não tão ruim – mas muitas pessoas, não!

E, obviamente, peguei a magrela e fui embora! Antes de começar a “largada”, eu já estava em casa, pois eu tinha outro compromisso….

Muita desorganização para pegar bicicleta, realmente, dei SORTE em pegar a área verde e pegar uma bicicleta mais ou menos boa – com direito a escolher a bike que eu queria (descartei uma com garfo frouxo e outra com corrente solta), com o “luxo” de deixar duas pessoas pegarem na minha frente (tipo “por favor, você primeiro, pode pegar”) e ainda uma pessoa me ajudar a pegar a minha bike, pois tinha 2 bikes na frente.

Notem: foi SORTE!

Quando cheguei lá nessa área, a ponte estava dividida em 2 partes: uma fila indiana (um atrás do outro) à direita e uma massa meio organizada meio muvucada à esquerda. Subi no bolo e peguei minha bike e desci pelo mesmo caminho que subi.

Mas conforme fui descendo, fui avisando para os coitados desavisados na fila indiana: “pessoal, não tem fila, estão pegando a bike lá em cima”. Quando cheguei no começo da ponte, olhei para trás e não havia mais fila indiana, só o bolo massivo. Por um lado, se “causei”, por outro lado livrei muita gente de ficar “morgando” na fila à toa…”

Para a Globo (UM DOS PATROCINADORES), nada de relatar sobre os problemas que aconteceram, né?

Engraçado a Globo só colocar fotos bonitas, e não colocar cenas lastimáveis como:

* pessoas não inscritas simplesmente roubando mais de 2 ou 3 bicicletas;
* uma mulher chorando com um quadro desmontado na mão;
* um dos funcionários dizendo que “tanto faz você subir com ou sem identificação, pois não tem bicicleta para todo mundo mesmo”;
* filas desorganizadas sobre a ponte; etc.

Na minha opinião, esse “grupo reduzido de ciclistas” deveria ter tomado vergonha na cara e ter sido solidário com o resto do pessoal e não ter participado. Mas cada um escolher ser egoísta, não podemos interferir nesse direito.

Durante os últimos dias falei várias e várias vezes: vamos simplesmente pegar as bikes e ir embora, boicote mesmo, esse evento não iria dar certo, mas muitos tinham uma “esperança ingênua otimista”.

Eis os tais VIPs (com identificação diferente da nossa, número de peito amarelo ao invés de branco, bicicletas com os nomes e “esperando” por eles em lugares pré-determinados):

E a própria Globo depois fala sobre “Ciclistas reclamam das bicicletas entregues no World Bike Tour de 2014″.

Completando: eu fui com uma camiseta preta por cima da oficial, eu não queria mesmo usar a camiseta do evento, há dias eu estava falando sobre isso como forma de “protesto”.

Mas, realmente e infelizmente, fiquei com tanto receio de mais m*rda acontecer, que acabei tirando a minha camiseta preta e preferi usar a tal camiseta do evento com a numeração no peito (pelo menos enquanto estava na ponte para pegar minha bike). Fiquei com medo de ser confundido com os penetras que estavam catando bike. Inclusive quando saí da ponte e peguei a avenida, passei por dois PMs que ficaram meio que me encarando, e foi tenso.

E minha camiseta estava meio que “personalizada”: um grande XIS em cima do símbolo da globo, e um “JÁ FOI” em cima da numeração onde estava escrito “parabéns São Paulo”.

E peguei o trem de volta para casa com a camiseta do evento de propósito, e isso perto das 8h ainda, pois queria pegar contra-fluxo do pessoal que estava indo para o evento ainda, e muitos perceberem que eu era uma pessoa do WBT que simplesmente abandonou o evento. Alguns até me perguntaram sobre o evento que iriam participar, e eu não economizei críticas e conselhos.

Depois que saí do metrô, coloquei a camiseta preta de novo e fui pedalar até em casa.