Arquivo do mês: agosto 2010

A cara do Rio (correção)

Há dois meses, foi anunciado o lançamento do livro Bicicleta: a cara do Rio, que propõe a bicicleta como “solução barata, saudável e ecologicamente correta” para o caos no trânsito das grandes cidades. Por alguma razão, porém, o nome da editora estava errado. O livro, de Júlio Lopes (ex-secretário estadual de Transportes do Rio), José Lobo (ONG Transporte Ativo) e Cláudio Santos (Federação de Ciclismo do Rio), sai na verdade pela Réptil Editora.

Bikes de bambu

Adeus, titânio. O material da moda para produção de quadros de bicicleta, agora, é o bambu. Recentemente, a comida de panda virou até matéria do New York Times, que atribui o sucesso à combinação de resistência e sustentabilidade ambiental do material.

Nos EUA, já existem empresas especializadas, como a Boo Bicycles e a Panda Bicycles, que cobram a partir de US$ 2.100 (R$ 3.700) pelas bikes de bambu. Quem não dispuser desse dinheiro, mas tiver acesso à matéria-prima, pode tentar fabricar uma por conta própria, com ajuda de guias disponíveis na rede.

The Legacy, modelo mais caro da Panda Bicycles, por US$ 3.250. Foto de divulgação.

Dura lex, sed lex

A maioria das pessoas acha legislação um negócio muito complicado. A verdade, porém, é que as leis são um fator relevante para uma mudança de mentalidade em relação ao transporte urbano. Embora freqüentemente “não saiam do papel”, as normas são um passo inicial, além de reforçarem a argumentação a favor de alternativas. Assim, deixando a lengalenga de lado, apresento abaixo uma relação de projetos de lei de interesse dos ciclistas. Acréscimos e observações são bem-vindos!

Câmara dos Deputados*

PL 5282/2009 – Daniel Almeida (PCdoB/BA) – Isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para bicicletas e peças; redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para as empresas. Outros projetos sobre o tema: PLC 5870/2009 e PLC 6669/2009.

PL 3437/2008 – Manuela D’Ávila (PCdoB/RS) – Torna obrigatória reserva de espaço para estacionamento gratuito de bicicletas em toda área pública e privada que “gere tráfego de pessoas e veículos”.

PL 6474/2009 – Jaime Martins (PR/MG) – Institui o Programa Bicicleta Brasil para incentivar o uso da bicicleta visando à melhoria das condições de mobilidade.

PL 6824/2010 – Rodrigo Rollemberg – PSB/DF – Iguala a bicicleta a bagagem de mão e torna obrigatório o transporte gratuito de uma bicicleta (montada ou desmontada) em ônibus interestaduais e internacionais.

Senado Federal*

PLS 166/2009 – Inácio Arruda (PCdoB/CE) – Isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para bicicletas e peças; redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para as empresas. Outros projetos sobre o tema: PLS 412/2009 e PLS 488/2009.

PLS 127/2009 – Romeu Tuma (PTB/SP) – Torna obrigatória a comercialização de bicicletas (importadas ou fabricadas no Brasil) com os equipamentos obrigatórios previstos no Código de Trânsito Brasileiro: campainha, sinalização noturna e espelho retrovisor.

* As ferramentas de pesquisa da Câmara e do Senado permitem o cadastramento de email para recebimento de atualizações a respeito da tramitação dos projetos.

Segurança no trânsito

A Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro e a Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados lançaram hoje um manifesto pedindo um compromisso formal dos candidatos a presidente com “um basta na violência no trânsito no nosso país”. Entre as 14 sugestões do documento, estão a definição de um Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito e implementação de políticas e soluções de infra-estrutura para proteção de usuários, em particular os mais vulneráveis.

Não é nada, não é nada… pode ser alguma coisa.

Adolescente

Depois do longo recesso, decidi voltar a pedalar, desta vez na pista mansa do Parque da Cidade. Nos últimos fins de semana, de bermuda e fones nos ouvidos, curtia minha crise de identidade, entre tentar recuperar um vigor pós-adolescente e assumir um perfil tiozão em forma (redonda). Pois hoje a dúvida se desfez. E se desfez num segundo – num átimo, diria meu lado matusalênico – de distração.

Caí de cara no chão, aflito com o deslizar interminável, ferido de morte no ponto mais fraco de um homem: o orgulho. De joelho ralado e roupa imunda, juntei os cacos e recebi a generosa solidariedade de um casal, que insistia em que eu buscasse auxílio numa farmácia ou posto médico. Agradeci a atenção e, dolorido, fui embora. Àquela altura, ainda não sabia, mas havia tomado uma decisão:

Só volto lá com minha mãe. E uma bicicleta com rodinhas.