Arquivo do mês: junho 2009

3×2 com Fabio Moraes, cicloturista

Em março, o brasiliense Fabio Moraes, 25 anos, partiu num pequeno passeio com sua namorada Paloma Pinho: uma pedalada de 4.000 km de Brasília a Lima. Os dois completaram 100 dias de viagem no último domingo, na cidade peruana de Ayaviri, ainda a mais de 1.000 km da capital.

Como se chega à decisão de mergulhar numa viagem de 4.000 km em cima de uma bicicleta?
Tomar a decisao é fácil, difícil é se preparar e conseguir todos os equipamentos e dinheiro necessários para isso. Não sei muito bem de onde vem essa vontade, é como juntar a fome com a vontade de comer. Juntar as pedaladas com a vontade de conhecer novos povos e novos lugares. Faço isso por turismo. Não pretendo lutar pela paz ou salvar o mundo em cima da minha bicicleta, pretendo conhecer tudo aquilo que jamais teria a oportunidade de conhecer.

Qual foi o momento mais marcante da viagem?
O momento mais marcante até agora… Diga-se de passagem que hoje [28 de junho] completamos 100 dias de viagem. E o momento mais marcante foi a subida das cordilheiras. Um visual que não conhecia, montanhas e muitas subidas. Uma energia muito diferente do que tinha experimentado em viagens. Pelo clima e paisagens, que agora já são mais comuns.

Qual foi sua primeira bicicleta e qual sua lembrança dela?
Ganhei uma bicicleta do meu padrinho. Uma aro 20, azul. Com um protetor de espuma no guidão, para não bater a boca. Sei que, assim que ganhei a bicicleta, subi nela, sem rodinhas nem nada. Saí pedalando. Mas não consegui fazer uma curva e caí. Daí, voltei chorando e não quis mais andar. Fui andar algum tempo depois, e já não subi e saí andando como na primeira vez, tive que aprender passo a passo.

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Mar de bicicletas

É difícil não acreditar na bicicleta como meio de transporte quando centenas de pessoas em duas rodas tomam as avenidas de Brasília numa manhã de domingo. Da Praça do Museu da RepúblicaPraça das Bicicletas à Ponte JK, e de volta, o mar laranja do 7º Passeio Ciclístico Rodas da Paz varreu os carros para o canto – com muito respeito – e transformou um dia cinzento numa festa.

Engarrafamento que anda: bicicletas a caminho da L4.

Engarrafamento que anda: bicicletas a caminho da L4.

Homens, mulheres, crianças e cachorros, entre outras figuras menos excêntricas, desfilaram com animação e sem incidentes por estimados 15 km. Para uma cidade que vê bicicletas como miragens no dia-a-dia dominado pelos automóveis, a procissão teve um quê de surreal, ao mesmo tempo um fato surpreendente e uma mensagem de esperança.

No caso do passeio de domingo, especificamente, esperança de que o Governo do Distrito Federal cumpra a promessa, feita em 2007, de entregar 600 km de ciclovias até 2010. Para mim, pessoalmente, esperança também de que as pessoas percam o medo e botem as bikes na rua não só no domingo, mas segunda, terça, quarta…

Bicicletada Junina

Fonte: Bicicletada DF

Depois do sucesso da inauguração da Praça das Bicicletas e de encher as ruas com quase 100 pessoas, a Bicicletada BSB segue seu caminho, em busca de melhores condições e mais respeito para os usuários de bicicletas.

Sempre com muita energia, descontração e questionamento, esse mês faremos a Bicicletada Junina.

E mantendo as tradições juninas do nosso Brasil Varonil-il-il , a Bicicletada faz mais uma grande festa da propulsão humana, desta vez contra a quadrilha do Fraga!!!!

Tragam apitos, bandeiras, balões, fogos de artifício.

Vai rolar fogueira de São João (e porquê não de Santa Joana?!?) e quem quiser pode ir à caráter!!!!

BICICLETADA JUNINA

DATA: 26 de junho, Sexta-Feira.
Horário: Concentração 18:00h
Local: PRAÇA DAS BICICLETAS (Em frente ao Museu da República, na Esplanada dos Ministérios).

Invenções (II)

Fonte: Marcia Bindo, Vida Simples

A ideia é genial: um projetor a laser acoplado na traseira da bicicleta desenha no asfalto duas linhas vermelhas com o símbolo universal dos ciclistas ao centro. Aonde a bike vai, a imagem segue atrás. Como a maioria das cidades não tem ciclovias, o apetrecho é uma baita mão na roda para o ciclista noturno circular com mais segurança pelas ruas. O objetivo é exatamente chamar a atenção dos motoristas para o fato de que é fundamental manter distância das bicicletas.

Laser na segurança do ciclista. Fonte: Altitude.

Laser na segurança do ciclista. Fonte: Altitude.

O produto foi idealizado pelo escritório de design americano Altitude para uma competição cuja intenção era promover o ciclismo. “Cansei de ver amigos sendo atingidos no trânsito. O que mais afasta os ciclistas das ruas é o medo de dividi-las com os carros”, diz o engenheiro mecânico Alex Tee, um dos idealizadores do LightLane. Originalmente era para ser apenas um protótipo, mas o sucesso foi tamanho que o escritório segue desenvolvendo o produto. E, se tudo der certo, ele será comercializado no ano que vem nos Estados Unidos.

Nota do blog: o lançamento comercial do LightLane estava previsto para outubro de 2009, a um preço superior a US$ 50. É bom lembrar, porém, que existem muitas restrições ao uso de laser em produtos de livre comércio.

3×2 com Zé Lobo, da Associação Transporte Ativo

Morador do Rio de Janeiro, Zé Lobo, 48 anos, é diretor da Associação Transporte Ativo, que atua no incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte. Designer gráfico por formação, abraçou a profissão de “promotor do uso de bicicletas”, atuando como pesquisador, consultor, palestrante, piloto…

Como avalia os primeiros dias de funcionamento da “faixa compartilhada” em Copacabana?
Os motoristas ficaram espantados: “Como 30 km/h e preferência para as bicicletas?!?!?!” Isso será muito bom para que eles aprendam o Código de Trânsito.

O entregadores da área estão adorando, sugeriram que a cidade inteira fosse assim. Mas estão usando a contramão também, apesar de terem uma via na mão, com preferência total para eles.

A população em geral que circula de bicicleta pela região já começa a reconhecer as rotas como mais seguras para cruzar o bairro no sentido montanha-praia. Fizemos uma contagem quatro dias após a inauguração e vamos repeti-la em três meses para ver o que mudou. (Veja o relatório enviado à Prefeitura do Rio de Janeiro)

Mas o mais importante é a afirmação do prefeito, que aprovou e quer espalhar o sistema pela cidade.

Para finalizar, não são “faixas compartilhadas”, como a mídia vem dizendo. São vias comuns, como todas as outras do país, onde o ciclista pode circular e com preferência sobre os automóvies (art. 58 do CTB). Ali temos uma rota indicada no piso que leva com segurança o ciclista que vem pela ciclovia da Orla até o metrô.

Qual foi o momento mais marcante na sua relação, como ciclista, com o trânsito e os automóveis?
Foram muitas. Ultrapassar Porsches e Ferraris de mais de meio milhão de reais, presos no trânsito, com uma Ceci de segunda mão, de aproximadamente 50 reais, é algo incrível. Mas o momento mais marcante foi quando o Túnel Rebouças, principal ligação Norte-Sul do Rio de Janeiro, teve que ser fechado por alguns dias devido a um desmoronamento pós-tempestade. A cidade parou, ninguém mais conseguia cumprir horários, o metrô ficou superlotado, mas as bicicletas seguiram como se nada tivesse ocorrido. Continuaram cumprindo horários, e o tempo de deslocamento não mudou. Foi a maior prova que tive de que as bicicletas superam qualquer dificuldade.

De quebra, ainda foi possível usar o túnel, que nos dias comuns não permite a travessia em bicicletas. (Vídeo)

Que dicas daria a alguém que esteja começando a usar a bicicleta como meio de transporte?
Pratique primeiro perto de casa, indo à farmacia, padaria, banco e fazendo todas as viagens curtas. Com o tempo, naturalmente sua confiança vai aumentar e conseqüentemente as distâncias percorridas também.

Procure estar familiarizado com sua bicicleta, com a legislação voltada a ela e procure sempre ir por ruas menos movimentadas.

Seguindo essas dicas fica fácil seguir adiante.

Mão e contramão

Mais de uma vez me perguntaram por onde eu andava na rua e, diante da resposta, pelo menos duas pessoas se surpreenderam com o fato de eu não ir no sentido contrário do trânsito. Para elas, na contramão, eu seria mais fácil de enxergar, o que aumentaria minha segurança. Pois o raciocínio é o oposto. Os ciclistas devem trafegar no mesmo sentido dos carros, o que não só garante a normalidade das coisas (a bicicleta, acredite, é um veículo), como, de acordo com a física, reduz o potencial de dano numa eventual colisão.

É também o que estabelece o Código de Trânsito Brasileiro:

Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.

Parágrafo único. A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa.

Resta, então, outra pergunta premiada: de que lado se deve trafegar?

Aqui temos duas interpretações. Quem se atém ao art. 58, costuma se basear no uso do plural (“nos bordos da pista de rolamento”) para alegar que o ciclista pode andar tanto pela direita quanto pela esquerda. Outros, porém, preferem lembrar o art. 29, que afirma o seguinte:

Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas:

I – a circulação far-se-á pelo lado direito da via, admitindo-se as exceções devidamente sinalizadas;

(…)

IV – quando uma pista de rolamento comportar várias faixas de circulação no mesmo sentido, são as da direita destinadas ao deslocamento dos veículos mais lentos e de maior porte, quando não houver faixa especial a eles destinada, e as da esquerda, destinadas à ultrapassagem e ao deslocamento dos veículos de maior velocidade;

Eu, enquanto eu mesmo, prefiro pedalar na direita.

Mais dicas de legislação aqui e aqui.

Praça das Bicicletas

Por falta de tempo para escrever besteiras, reproduzo relato do Campus Online, da UnB, sobre momento importante da sexta-feira passada (29/5). A autora do texto é Ludmilla Alves:

“Alô alô, bicicleteiros! A partir de hoje, oficialmente – mas não burocraticamente –, está inaugurada a Praça das Bicicletas.” Assim começou a noite em que o amplo espaço de concreto entre a Biblioteca Nacional e o Museu da República ganhou um nome e um sentido de convivência e integração mais humano.

Toda última sexta-feira do mês, o local é ponto de encontro dos participantes da Bicicletada. O evento reúne ciclistas interessados em reivindicar seu espaço nas ruas, o reconhecimento das bicicletas como meio de transporte na malha de trânsito, e condições favoráveis para a prática do ciclismo com segurança.

“A ideia é criar um espaço de referência pra um grupo de pessoas que tentam meios alternativos no trânsito e não conseguem”. Segundo Artur Sinimbu, ex-estudante de Ciência Política e cicloativista, andar de bicicleta em Brasília é um desafio diário. “O desafio de pedalar numa cidade construída para carros”.

Apesar do clima descontraído, não se trata de um simples passeio ciclístico. A força política do evento fica estampada no perfil da maioria dos presentes. O jornalista Pedro Poney participa ativamente da organização das bicicletadas, e afirma que até a palavra organização, aí, pode soar equivocada: “a gente brinca falando que isso aqui é uma coincidência organizada”.

Texto completo aqui.