Arquivo do mês: maio 2009

Cada louco com a sua

Vou (e quase sempre volto) pedalando até o trabalho duas vezes por semana. São cerca de 6 km na ida e 8 km no retorno. Desce um, vai três, noves fora, não completo nem 30 km por semana. A relação com o trânsito é melhor do que eu imaginava. As condições das vias que percorro, à exceção de uns calombos na S1 logo depois do MPDFT e no SDN (!), também. O tempo ameno da manhã me poupa de tomar banho, oinc, oinc, e, se é verdade que o banheiro podia receber um asseio, trocar de roupa não exige muito.

Apesar de tudo isso, tenho certeza de que algumas pessoas me acham louco, pelo simples fato de ir de bicicleta para o trabalho.

Pois vou contar o que é loucura.

E esse caminho que eu mesmo escolhi...

E esse caminho que eu mesmo escolhi...

Cruzar a Austrália, em dois trechos, de Perth a Adelaide (3.977 km) e de Sydney a Canberra (2.049 km), a bordo de um monociclo. Esse é o objetivo do indiano Sid Rajan, 24 anos, para os próximos dois meses. Loucura?

E ir de Brasília a Lima, via Bolívia, num percurso de 4.000 km? Essa é a aventura, em andamento, de Fábio Moraes e Paloma Pinho, dois moradores aqui mesmo do glorioso Distrito Federal. Leia os relatos dos dois, veja as fotos, tente imaginar o que andam vivendo por aí e depois venha aqui me contar o que, afinal, é loucura.

Metro e meio

Por falta de novidades na ida ao trabalho (e na volta também), prossigo com o curso condensado de legislação de trânsito, concentrado em veículos não-motorizados de duas rodas:

CAPÍTULO XV
DAS INFRAÇÕES

Art. 161. Constitui infração de trânsito a inobservância de qualquer preceito deste Código, da legislação complementar ou das resoluções do CONTRAN, sendo o infrator sujeito às penalidades e medidas administrativas indicadas em cada artigo, além das punições previstas no Capítulo XIX.

(…)

Art. 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta:

Infração – média;

Penalidade – multa.

Esse é um artigo mundialmente famoso por ser completamente desconhecido. Mesmo quem já ouviu falar do 161, nunca acreditou em sua existência, preferindo encará-lo como ovni, duende ou deputado-que-nunca-usou-cota-de-passagem-para-fins-particulares.

Pois é verdade. Na ausência de ciclovia, o ciclista não só pode andar “nos bordos da pista de rolamento” (art. 58), como deve ser protegido pelos automóveis. Proteger, aliás, é a palavra certa, como se vê no art. 29.

Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas:

(…)

§ 2º Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.

É difícil acreditar. No bom senso do legislador.

Anote.

Dia de cão

Na volta do trabalho, nesta quinta, levei minha primeira corrida de cachorros, no Parque da Cidade. Três vira-latas, até meio tímidos, saídos de um gramadinho atrás do Obcursos (guia de pronúncia para os forasteiros: óbi-cursos). Um mais abusado me seguiu, latindo, talvez por uns 100 metros. Nada emocionante.

O ciclista invisível

Um dos momentos de profunda irritação nas minhas idas e vindas ao trabalho é atravessar a via S2, na altura do Brasil 21, para pegar o parque. Paro na faixa de pedestres, ponho a bicicleta na perpendicular e… nada. Se não houver um pedestre propriamente dito ao lado, os carros passam, na maior sem cerimônia, como se eu não existisse. É bom que se esclareça: embora não faça, na prática, muita diferença, o ciclista, para equivaler a um pedestre, deve desmontar da bicicleta. Confira no Código de Trânsito Brasileiro:

Art. 68. É assegurada ao pedestre a utilização dos passeios ou passagens apropriadas das vias urbanas e dos acostamentos das vias rurais para circulação, podendo a autoridade competente permitir a utilização de parte da calçada para outros fins, desde que não seja prejudicial ao fluxo de pedestres.

§ 1º O ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres.

O que, no meu caso, não muda o resultado. Só consigo aravessar quando jogo a coitada na pista e “obrigo” os automóveis a parar. É complicado fazer o elefantinho segurando um camelo.

Invenções (I)

A bicicleta como meio de transporte é realidade em vários países e sua disseminação serve de combustível para a criatividade de muita gente. Do genial ao surreal, a distância nem sempre é clara. O que dizer, então, da invenção dos japoneses da STORE MUU?

Vaga semelhança com uma bicicleta ergométrica.

Vaga semelhança com uma bicicleta ergométrica.

Apresentado recentemente numa feira de design em Milão, o Pit In é uma espécie de mesa-estacionamento, que, segundo seus criadores, permite ao ciclista parar, descansar os braços e ler um jornal ou usar um notebook. Tudo isso sentado no próprio selim da bicicleta.

“Com essa estação de acoplamento, que adoraríamos ver instalada nas ruas, os ciclistas só precisam encaixar suas bicicletas e dar uma parada”, explicaram Ippei Kimoto e Masahiro Asakura, designers da MUU, ao jornal inglês Guardian.

Turismo em duas rodas

Fonte: Agência Brasília

O projeto ‘Escola Peripatética: Educação Patrimonial’ abre nesta segunda-feira (4) as inscrições para o programa ‘Brasília de Bicicleta’. As inscrições são gratuitas e poderão ser feitas de 4 a 15 de maio no Panteão da Pátria, ou pelo telefone 3322-3244. O ciclista deve apenas comparecer no dia 17 de maio no ponto de partida levando sua bicicleta.

O programa convida pessoas de todos os sexos e idades interessados na história e construção de Brasília a fazer um passeio ciclístico pelos principais monumentos e marcos históricos da Capital Federal. Tudo isso, acompanhado do professor Rinaldo Paceli, vencedor do Prêmio José Aparecido de Oliveira oferecido pela Secretaria de Cultura para premiar um trabalho representativo de ação preservacionista relativo à Brasília como Patrimônio Histórico da Humanidade.

O passeio será no dia 17 de maio e o ponto de partida é a ‘Praça do Cruzeiro’. De lá, os ciclistas seguem para a Torre de TV, Complexo Cultural da República e Esplanada dos Ministérios até chegarem à Praça dos Três Poderes, onde encerrarão a jornada no Espaço Lúcio Costa.

Os participantes poderão ver marcos históricos da Capital Federal, como, por exemplo, o Ipê próximo a Torre de TV que simboliza as 250 mil árvores plantadas no Plano Piloto. Ou o marco intitulado ‘Pontos Cardeais’ em frente a Catedral de Brasília. A placa, datada de 2 de fevereiro de 1960, presta homenagem a um grupo de pioneiros da capital que participaram de uma grande carreata organizada pelo então presidente Jucelino Kubistschek, e ficou conhecida como ‘Caravana de Integração Nacional’.

De acordo com Rinaldo Paceli, o objetivo do passeio é desenvolver o conhecimento das pessoas sobre Brasília, sua peculiaridade histórica, urbanística e arquitetônica, por meio da educação patrimonial. “Com uma pedalada sobre o Eixo Monumental nós conseguiremos promover a valorização da Capital Federal como Patrimônio Cultural da Humanidade”, afirma.