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A bicicleta de Simone (e Toquinho)

Em 1983, Toquinho gravou um disco só com músicas para crianças, cada uma inspirada num brinquedo. Vários artistas fizeram participações especiais no LP (“Casa de brinquedos”) e coube a Simone a presença na faixa “A bicicleta” – e também estrelar o vídeo, gravado no Jardim Botânico do Rio, para o especial da TV Globo.

Na letra, de Toquinho e Mutinho, destaque para a terceira estrofe, que antecipa a “moda” das bicicletas.

B-I-C-I-C-L-E-T-A
Sou sua amiga bicicleta.

Sou eu que te levo pelos parques a correr,
Te ajudo a crescer e em duas rodas deslizar.
Em cima de mim o mundo fica à sua mercê
Você roda em mim e o mundo embaixo de você.
Corpo ao vento, pensamento solto pelo ar,
Pra isso acontecer basta você me pedalar.

B-I-C-I-C-L-E-T-A
Sou sua amiga bicicleta.

Sou eu que te faço companhia por aí,
Entre ruas, avenidas, na beira do mar.
Eu vou com você comprar e te ajudo a curtir
Picolés, chicletes, figurinhas e gibis.
Rodo a roda e o tempo roda e é hora de voltar,
Pra isso acontecer basta você me pedalar.

B-I-C-I-C-L-E-T-A
Sou sua amiga bicicleta.

Faz bem pouco tempo entrei na moda pra valer,
Os executivos me procuram sem parar.
Todo mundo vive preocupado em emagracer,
Até mesmo teus pais resolveram me adotar.
Muita gente ultimamente vem me pedalar
Mas de um jeito estranho que eu não saio do lugar.

B-I-C-I-C-L-E-T-A
Sou sua amiga bicicleta.

Bicicleta: cabo eleitoral

A Folha de S. Paulo publicou, na edição desta terça-feira, um artigo da jornalista Vera Magalhães sobre bicicleta e política. Até pelo espaço exíguo, o texto não é muito profundo, mas o alerta é claro: não se deixem seduzir pela súbita paixão de candidatos, em todo o Brasil, pela bicicleta.

Só esse trechinho já vale o artigo inteiro:

Ainda assim, é impossível não ver com ceticismo tanto entusiasmo em período eleitoral quando a prática dos governos municipal, estadual e federal é incentivar o uso de carro – seja com benefícios fiscais, seja pela precariedade do transporte público.

Apesar de reações raivosas, aqui e ali, contra o “bikerdismo”, a maioria dos candidatos, ao menos nas grandes cidades, já percebeu que a bicicleta como meio de transporte é uma bandeira simpática e promissora do ponto de vista eleitoral. Assessores são mobilizados para organizar pedaladas e elaborar propostas mirabolantes de ciclovias, ciclofaixas, ciclotudo que possam associar uma candidatura à defesa da mobilidade urbana, do trânsito seguro, da convivência pacífica. Desde já, uma imagem vale mais do que mil palavras, e certamente um punhado de votos.

Como reagir? Desconfiar sempre. Tentar descobrir, por exemplo, o que o candidato poderia ter feito em mandatos passados e não fez. Analisar o histórico do partido, dos correligionários, de todos os envolvidos na campanha. Buscar um compromisso firme – e, de preferência, assinado.

Cidades amigas da bicicleta

O Rio de Janeiro ficou em 18º no ranking das cidades mais amigáveis às bicicletas do site Copenhagenize! A exclamação se deve ao fato de que essas listas, geralmente, levam em consideração aspectos como planejamento, infra-estrutura cicloviária, sistemas de compartilhamento, eventos de mobilização e adesão da população – e, sinceramente, a Cidade Maravilhosa, a despeito dos muitos esforços registrados, não se destaca em nenhum desses pontos.

A surpresa é maior ainda ao se conferir a lista dos critérios usados pelo Copenhagenize: organização da sociedade civil, cultura ciclística, instalações, infraestrutura, sistemas comunitários, igualdade de gênero (?), participação da bicicleta no transporte, crescimento da participação da bicicleta, sensação de segurança, clima político, aceitação social, planejamento urbano e redução do trânsito.

E aí, é razoável a posição do Rio?

Confira o ranking:

1. Amsterdã
2. Copenhague
3. Barcelona
4. Tóquio
5. Berlim
6. Munique
7. Paris
8. Montreal
9. Dublin
10. Budapeste
11. Portland
12. Guadalajara
13. Hamburgo
14. Estocolmo
15. Helsinque
16. Londres
17. São Francisco
18. Rio de Janeiro
19. Viena
20. Nova York