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Perigos

Pedalar pela cidade é perigoso, certo? Então por que o Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica (Nice), da Inglaterra, teria publicado a seguinte recomendação na semana passada: em distâncias curtas, em vez de usar o carro, vá à pé ou de bicicleta? A melhor resposta, segundo o jornal Guardian, é do pesquisador Harry Rutter, fundador do Observatório Nacional da Obesidade:

Toda atividade envolve um risco. E, por alguma razão, o risco associado ao uso da bicicleta parece receber atenção especial das pessoas. Obviamente, uma morte é uma tragédia, e devemos fazer todo o possível para evitar isso. Mas creio que há uma percepção equivocada de que o uso da bicicleta é muito mais perigoso do que é de verdade.

O destaque dado aos perigos da bicicleta tem a ver com sua visibilidade. O que não percebemos é que, quando você passa uma hora por dia pedalando em vez de sentado dentro de um carro, torna-se evidente um custo associado ao sedentarismo da segunda opção. Porém, é algo silencioso, que não se nota. Estamos falando aqui de trocar o perigo invisível do sedentarismo pelo benefício à saúde proporcionado pelo uso da bicicleta.

Só lembrando: não se trata de um panfleto “bikerdista”, mas de uma recomendação do Ministério da Saúde do governo conservador britânico.

Carro R$ 0,76, bicicleta, R$ 0,12

Um estudo da Coppe/UFRJ divulgado no início do mês pôs em números o que todo mundo imagina: a bicicleta é o meio de transporte mais barato. Com base num percurso de 20 km por dia, nas cidades de Porto Alegre e Rio de Janeiro, concluiu-se que a bicicleta consome R$ 0,12 por quilômetro contra R$ 0,76 do automóvel. O uso do ônibus implica gastos de R$ 0,32. Os cálculos usaram parâmetros da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), como aquisição de acessórios, depreciação, consumo, manutenção, impostos e custos sociais.

Ipea: bicicleta é principal transporte para 7%

O Ipea divulgou nesta segunda-feira estudo sobre mobilidade urbana que integra o Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips). No Brasil, segundo a pesquisa, apenas 7% têm a bicicleta como principal meio de locomoção. O transporte público é o mais usado por 44,3%; o carro, por 23,8%; a moto, por 12,6%; e 12,3% se deslocam principalmente a pé. O uso da bicicleta é maior na região Norte (17,9%) e menor na região Sul (2%).

O estudo também mostra que o uso da bicicleta diminui à medida que aumenta a escolaridade – o que pode ser reflexo tanto do emprego como transporte escolar quanto do poder aquisitivo. A bicicleta é o meio de transporte mais utilizado por 9,1% das pessoas que completaram até a 4ª série do 1º grau (sic). Entre as que pelo menos iniciaram um curso superior o índice cai para 0,5%.