Arquivo da categoria: Diário de Bordo

Paradinha

Uma breve nota pessoal.

Pedalada cívica

Nada como um dia estranho para relembrar o prazer de ir de bicicleta ao trabalho. Na ida, movimento acima do normal para uma tarde de domingo, provável reflexo dos últimos minutos do horário de votação. Na volta, meia dúzia de carros, algumas viaturas policiais, dois moradores de rua, um catador empurrando um carrinho de supermercado. Entre uma coisa e outra, jornada de umas nove horas, terminada à uma e meia da manhã.

A madrugada costuma ser o horário preferido dos jovens abestalhados de Brasília para seus rachas barulhentos. Cruzar de bicicleta as imensas avenidas da capital, como um lunático solitário, nesse terreno inimigo, não deixa de ser uma satisfação. No caminho, não vi nenhum desses exibicionistas, e eles certamente também não me viram.

No fim, cheguei incólume em casa, a tempo de dar mais uma olhadinha na repercussão dos resultados das eleições. A maioria das pessoas espera que os homens e mulheres eleitos neste domingo mudem suas vidas. (Ou não.)

Mas às vezes não é preciso esperar. Basta aproveitar um dia estranho para fazer algo que valha a pena.

Adolescente

Depois do longo recesso, decidi voltar a pedalar, desta vez na pista mansa do Parque da Cidade. Nos últimos fins de semana, de bermuda e fones nos ouvidos, curtia minha crise de identidade, entre tentar recuperar um vigor pós-adolescente e assumir um perfil tiozão em forma (redonda). Pois hoje a dúvida se desfez. E se desfez num segundo – num átimo, diria meu lado matusalênico – de distração.

Caí de cara no chão, aflito com o deslizar interminável, ferido de morte no ponto mais fraco de um homem: o orgulho. De joelho ralado e roupa imunda, juntei os cacos e recebi a generosa solidariedade de um casal, que insistia em que eu buscasse auxílio numa farmácia ou posto médico. Agradeci a atenção e, dolorido, fui embora. Àquela altura, ainda não sabia, mas havia tomado uma decisão:

Só volto lá com minha mãe. E uma bicicleta com rodinhas.

Comemorando

O blog completou nesta segunda, 12 de abril, um ano de existência. Que eu tenha quase morrido, depois de mais de quatro meses sem pedalar para o trabalho, é apenas um detalhe. Valeu comemorar a insignificância da efeméride da única maneira aceitável: com a língua de fora, o vento na cara e o carro na garagem.

Força motriz.

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Tuitando.

Pedal universitário

Se conciliar trabalho e estudo é um desafio, o que dizer de encará-lo usando uma bicicleta como meio de transporte? Pois transferi minhas pedaladas relativamente tranqüilas até a “zona central” de Brasília por jornadas noturnas às (variadas) instalações da UnB na L2 Norte. O trânsito do início da noite não ajuda muito na ida, mas é na volta das aulas, às vezes 15 horas após abrir os olhos pela manhã, que a situação se torna dramática. Hoje, encarar o sobe-e-desce da região, embora num percurso curto, já representa um suplício. Imagine quando, em vez de pegar carona no meio do caminho, eu resolver ir direto para casa. Massa, véi!

Paradoxal

Fui buscar o carro da revisão. De bicicleta.