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Para um 2013 mais comunitário

A nova elite, com carros próprios em quantidade suficiente para não se preocupar com o estado lamentável do transporte público, de fato destruiu as pontes que seus pais tinham atravessado à medida que as deixava para trás, esquecendo que essas pontes eram construídas e usadas socialmente – e que, se assim não fosse, ela mesma não teria chegado aonde chegou.

Em termos práticos, a nova elite global lavou as mãos em relação à questão do “transporte público. A “redistribuição” está definitivamente excluída, lançada à lata de lixo da história, junto com outros lamentáveis erros de julgamento que são hoje retrospectivamente responsabilizados pela opressão da autonomia individual e portanto também pelo estreitamento daquele “espaço” que todos, como gostamos de repetir, “precisamos cada vez em maior quantidade”. E portanto também está eliminada a comunidade, entendida como um lugar de compartilhamento do bem-estar conjuntamente conseguido; como uma espécie de união que supõe a responsabilidade dos ricos e da substância às esperanças dos pobres de que essa responsabilidade será assumida.

Zygmunt Bauman, Comunidade: a busca por segurança no mundo atual, tradução de Plínio Dentzien

A volta das amarelinhas

Não, não são camisas da seleção, nem pilhas Rayovac. Amanhã (18), voltam a circular no campus da Universidade de Brasília (UnB), as bikes do projeto Bicicleta Livre. Inicialmente, são 25 bicicletas, à disposição em pontos de grande circulação no campus. É só pegar, pedalar e deixar para o próximo num lugar também movimentado.

O Bicicleta Livre é um projeto de extensão, viabilizado com ajuda de voluntários, que tem como objetivo incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte. Segundo o twitter do projeto, há mais de 60 bikes prontar para circular, que serão liberadas aos poucos.

Pedala, Vicente Pires

Fonte: Naira Trindade, Correio Braziliense

Povo quer pedalar sem riscos

Pedalar com segurança pelas ruas estreitas de Vicente Pires é um sonho. Ao encarar as duas rodas, ciclistas da cidade caçula do Distrito Federal são obrigados a dividir o mesmo espaço com um concorrente de peso: o veículo automotor. Em qualquer imprevisto, a bicicleta é sempre a mais prejudicada. Paulo Francisco Teixeira, 30 anos, já foi vítima de acidente. Ao usar o meio de transporte barato e saudável para ir à faculdade, em Taguatinga, ele foi atropelado. “O motorista não deu seta, entrou no retorno e veio em cima de mim. Por sorte não aconteceu nada de grave comigo, mas a bicicleta ficou destruída”, conta.

Paulo é um dos 200 ciclistas que participam, às 8h30 de hoje [11 de julho] , do 1º Passeio Ciclístico de Vicente Pires. Em um percurso de 10km, crianças, adolescentes e adultos de diferentes idades pedalam com o objetivo de reivindicar a construção de ciclovias no local. “Além de ótima para a prática de exercício físico, a bicicleta é um meio de transporte e deve ser usada com esse fim”, defende o estudante de educação física Paulo Teixeira. Todos os dias, ele percorre pelo menos 40km de bicicleta, 20km até a universidade e outros 20km de volta para casa. O carro fica na garagem. “É menos um veículo no trânsito. Nós três temos carros e preferimos a bicicleta. Só aqui nós tiramos três das ruas”, conta ele, apontando para dois amigos ciclistas.

A consciência ambiental de tirar automóveis das ruas e usar o meio saudável como transporte começou cedo na casa de Ítalo Gomes Carneiro, 24. Na garupa da mamãe, Wemilly Lamounier Carneiro, 22, a mascote da turma, Sara Lamounier Gomes, 1 ano e nove meses, vai tentar fazer todo o percurso. “Quando começamos a andar, ela quer dormir”, conta o pai. Mas o sono causado pelo embalo da bicicleta ou qualquer dificuldade encontrada pelo caminho vai contar com a ajuda de um carro de apoio. Uma viatura e duas motos da Polícia Militar também vão colaborar para que os ciclistas pedalem em segurança entre os carros. Segundo o coordenador do evento, Ítalo Gomes, uma viatura do Corpo de Bombeiros vai ficar sob aviso em um ponto de apoio. Também serão distribuídos copos de água para os participantes se hidratarem pelo caminho.

Novo status

A cidade de Vicente Pires nasceu de loteamentos irregulares. Apesar de calçadas largas, as ruas asfaltadas pelos próprios moradores ficaram estreitas. “Na rua, os carros passam em alta velocidade e não respeitam nem ciclistas nem pedestres”, reclama Ítalo Gomes Carneiro. Há menos de dois meses, a região administrativa mais nova do Distrito Federal deixou de ser conhecida como ocupação irregular para se tornar cidade. Com a mudança, passou a ter orçamento próprio e a administração ganhou sinal verde para investir em benfeitorias para o local, onde vivem 60 mil pessoas.

Os ciclistas cobram bicicletários em pontos de ônibus e ciclovias. “Vicente Pires é uma RA (Região Administrativa) e não tem estrutura de lazer ou diversão”, ressalta Ítalo. Mas as melhorias devem demorar a chegar. Segundo administrador da cidade, Alberto Meireles, não há previsão de se construírem ciclovias na área urbana. “É necessário elaborar um projeto dentro do Projeto de Urbanismo de Vicente Pires para a construção das vias. Os trechos que estão previstos são os 19km da Estrada Parque Taguatinga (EPTG) e, possivelmente, a Estrutural”, resume.

“Na segunda-feira eu vou tentar incluir o assunto no Projeto de Urbanismo para que a ideia seja estudada”, promete o administrador Alberto Meireles. Segundo o coordenador-gerente do Pedala DF, Leonardo Firme, o trâmite entre o estudo, a elaboração e orçamento desse projeto e o início das obras demora de dez meses a um ano. “A iniciativa da comunidade é muito legal, porque o transporte individual de carros está falido, mas é preciso estudar a possibilidade, porque as ruas de lá são estreitas”, adverte.

Pedalando no campus

Desde 22 de junho, estudantes e servidores da UnB têm uma nova alternativa para se locomover dentro do campus: a bicicleta. A iniciativa é parte do projeto Bicicleta Livre, um projeto de extensão iniciado em 2007, com participação de alunos de diferentes cursos. São 18 bicicletas à disposição em três pontos da universidade.

Amarelinhas para estudantes e servidores. Fonte: UnB Agência (Isabela Lyrio).

Amarelinhas para estudantes e servidores. Fonte: UnB Agência (Isabela Lyrio).

Para usar as bicicletas, não é preciso pagar, deixar documento ou pedir autorização. Basta sentar no selim e sair pedalando. O único compromisso é devolvê-la. As bicicletas, doadas ao projeto e reformadas pelos próprios alunos participantes, são pintadas de amarelo e levam uma placa de identificação.

O Bicicleta Livre convida os interessados a colaborar no trabalho de manutenção e conserto das bikes. Os voluntários podem participar das oficinas que acontecem aos sábados, a partir das 10h, na sala 34 da Faculdade de Educação Física.