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Valencia multa ciclistas

A cidade de Valencia, na Espanha, tem um popular sistema de aluguel de bicicletas com 275 estações e uma rede de quase 170 km de ciclovias. Mesmo assim os ciclistas estão preocupados. É que as autoridades locais iniciaram uma ofensiva contra os infratores em duas rodas: agora pedalar na calçada ou prender a bicicleta em local proibido pode render multa de até 500 euros (R$ 1.200).

Segundo o blog I love bicis, do jornal El País, já foram aplicadas 530 multas e 887 advertências. A prefeitura alega que a repressão é resposta a reclamações de pedestres vítimas de atropelamentos por bicicletas. Já os ciclistas argumentam que nem sempre é fácil andar ao lado dos carros, principalmente para os novatos, e que falta uma política de acompanhamento por parte do poder público. Também se queixam do valor desproporcional da multa, às vezes superior à aplicada a motoristas, por infrações equivalentes.

Cidades amigas da bicicleta

O Rio de Janeiro ficou em 18º no ranking das cidades mais amigáveis às bicicletas do site Copenhagenize! A exclamação se deve ao fato de que essas listas, geralmente, levam em consideração aspectos como planejamento, infra-estrutura cicloviária, sistemas de compartilhamento, eventos de mobilização e adesão da população – e, sinceramente, a Cidade Maravilhosa, a despeito dos muitos esforços registrados, não se destaca em nenhum desses pontos.

A surpresa é maior ainda ao se conferir a lista dos critérios usados pelo Copenhagenize: organização da sociedade civil, cultura ciclística, instalações, infraestrutura, sistemas comunitários, igualdade de gênero (?), participação da bicicleta no transporte, crescimento da participação da bicicleta, sensação de segurança, clima político, aceitação social, planejamento urbano e redução do trânsito.

E aí, é razoável a posição do Rio?

Confira o ranking:

1. Amsterdã
2. Copenhague
3. Barcelona
4. Tóquio
5. Berlim
6. Munique
7. Paris
8. Montreal
9. Dublin
10. Budapeste
11. Portland
12. Guadalajara
13. Hamburgo
14. Estocolmo
15. Helsinque
16. Londres
17. São Francisco
18. Rio de Janeiro
19. Viena
20. Nova York

Bicicletas demais?

O uso da bicicleta pode crescer tanto a ponto de virar um problema? Sim, mas, por enquanto, só no Reino da Dinamarca. Em Copenhague, capital do país, 36% dos moradores usam a bike para ir à escola ou ao trabalho, e a meta é chegar a 50% até 2015. O resultado é que, na hora do rush, os ciclistas têm de brigar por espaço nas (amplas) ciclofaixas. “Os ciclistas estão se tornando mais agressivos e imprudentes no trânsito. Vejo cada vez mais gente pondo a si e a outras pessoas em situações perigosas”, diz Frits Bredal, da Federação Dinamarquesa de Ciclistas. Parte dos ativistas teme, porém, que os problemas sejam manipulados para enfraquecer o ambiente “pró-ciclista” de Copenhague.

[Achado no ótimo Bike blog do jornal The Guardian.]

Bordos de lava

O art. 58 do Código de Trânsito Brasileiro diz: “Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.”

A regra, até intuitiva, parece bem clara: o ciclista deve andar nos cantos da pista e não entre os carros.

Agora dê uma olhada nesse “bordo de pista”:

Asfalto na EPIG

Formação na EPIG (perto do MPDFT) intriga geólogos. Foto do blog.

Afora a (falta de) qualidade da obra, que deve ter custado caríssimo, como as autoridades esperam que um ciclista urbano siga a determinação da lei em “bordos” dignos de competições cross country? Quem responde em caso de acidente?

Ao trabalho, de bicicleta

Nesta quarta-feira, a cidade de Boulder, no Colorado (EUA), realiza mais uma edição do Bike to Work Day. Nada menos que 4 mil pessoas tinham se inscrito na mobilização até a segunda. Com apoio de empresas locais, serão montadas 48 “estações de café da manhã”, onde os ciclistas poderão comer de graça das 6h30 às 9h. Diversos empregadores incentivaram a participação de seus funcionários no evento.

Não por coincidência, Boulder, com pouco mais de 100 mil habitantes, é considerada uma das cidades mais “amigáveis” ao uso da bicicleta no mundo. As atividades de incentivo à prática, hoje espalhadas por um mês inteiro (Walk and Bike Month), começaram em 1977.

Alguma cidade brasileira se dispõe a promover um dia de ir ao trabalho de bicicleta?

Resolução “impede” bikes em ônibus

Depois de quase um ano, a Secretaria Municipal dos Transportes da cidade de São Paulo anunciou a interrupção do projeto que permitiria o transporte de bicicletas na frente de ônibus, genericamente conhecido como Bike Bus. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o obstáculo alegado é a Resolução 349 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que só prevê o transporte na “parte posterior externa” (atrás) ou sobre o teto.

O curioso é que a referida resolução “dispõe sobre o transporte eventual de cargas ou de bicicletas nos veículos classificados nas espécies automóvel, caminhonete, camioneta e utilitário”. Não há, como se vê, qualquer referência a ônibus.

Blumenau sem aluguel de bicicletas

A prefeitura de Blumenau decidiu acabar com um sistema de aluguel de bicicletas lançado em setembro de 2009. Segundo a imprensa catarinense, a decisão, tomada em acordo com o consórcio responsável pelos transportes na cidade (Siga), deveu-se à baixa procura pelo serviço. Apesar da justificativa, não foram divulgados números, nem reclamações de (potenciais) usuários.

O serviço era operado pela Serttel, empresa de Recife também responsável pelo Pedala Rio, projeto de idas e vindas na capital carioca.

Em Blumenau, o desinteresse do público é atribuído à precariedade da estrutura cicloviária local e à complexidade do sistema de aluguel, que envolve aquisição de passe com cartão de crédito e uso do celular para liberação das bicicletas.

A prefeitura garantiu que o serviço será retomado, após reformulação, até o fim de 2012.