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Dia Mundial Sem Carro

Os maiores eventos ocorreram no fim de semana. Mas o Dia Mundial Sem Carro é nesta segunda-feira (22 de setembro). Vá de bicicleta, ônibus, metrô, trem, a pé. Se não der, leve mais gente no carro.

Imagens (XIV)

Carinho dos Bombeiros do DF durante a Bicicletada Pelada 2012. Foto do blog.

Carta do Fórum Mundial da Bicicleta

O pessoal do Fórum Mundial da Bicicleta, encerrado ontem em Porto Alegre, divulgou uma carta:

Carta do 1º Fórum Mundial da Bicicleta

Os participantes do 1º Fórum Mundial da Bicicleta, reunidos em Porto Alegre entre 23 e 26 de fevereiro de 2012, após intensos e ricos debates, decidiram aprovar as seguintes ideias:

FELICIDADE

1) A bicicleta é um símbolo e um instrumento para a busca da felicidade agora.

SUSTENTABILIDADE

2) A bicicleta é um meio de transporte democrático sustentável e pode ajudar a salvar o planeta para as presentes e futuras gerações.

VIDA COMUNITÁRIA

3) A bicicleta proporciona o encontro das pessoas. A apropriação efetiva dos espaços públicos valoriza a vida comunitária e o compromisso do cuidado com a cidade.

POLÍTICAS PÚBLICAS

4) A bicicleta representa uma demanda social de inversão das políticas públicas atuais, que priorizam o transporte individual motorizado

CIDADES MAIS HUMANAS

5) A bicicleta está ligada ao conceito de Cidades Mais Humanas onde a segurança, a sociabilidade, a acessibilidade, a solidariedade e o bem estar das pessoas tenham prioridade sobre o fluxo de veículos automotores.

DEMOCRACIA

6) A bicicleta é uma forma de participar ativamente da vida da cidade. A democracia direta é um dos pilares que devem guiar todas as decisões que afetam a coletividade.

PAZ NO TRÂNSITO

7) A bicicleta é um símbolo de paz no trânsito e os usuários desejam tão somente partilhar as ruas. O Fórum Mundial da Bicicleta rechaça a ideia de existência de um conflito com motoristas. A escolha do modo de transportar-se não coloca as pessoas em campos conflitantes.

SAÚDE

8) A bicicleta tem grande potencial para buscar saúde preventiva da população, através de um estado completo de bem estar físico, mental, espiritual e social.

FORMAÇÃO DE REDES

9) A bicicleta trouxe pessoas do mundo todo para Porto Alegre. Um dos maiores ganhos do 1º Fórum Mundial da Bicicleta foi o fortalecimento e o efeito multiplicador que a troca de experiências entre pessoas de distintos lugares e realidades diferentes, o que criou uma rede de pessoas que juntas vêem na bicicleta o símbolo de um outro mundo possível.

HORIZONTALIDADE

10) A bicicleta uniu as pessoas que, de forma horizontal e voluntária, organizaram o 1º Fórum Mundial da Bicicleta. As próximas edições deverão seguir os mesmos princípios, podendo ser organizado em outros lugares e datas, sem rigidez ou alguma outra forma de centralismo.

Carteira de não-motorista

A Undriver License é uma idéia que mostra que criatividade e inteligência são sempre boas armas na promoção do transporte sustentável. A “carteira de não-motorista”, que representa um compromisso com a redução do uso do carro, foi criada em 2007 por um grupo comunitário de Seattle (EUA). Desde então, foram realizados mais de 60 eventos na região, com emissão de 8 mil carteiras. Para obter o documento, além do pagamento de uma taxa de confecção, é exigida uma promessa de mudança para o mês seguinte – ir andando para a escola ou pensar duas vezes antes de entrar no carro, por exemplo. Os licenciados de Seattle recebem, além da carteira, seis passes de ônibus, oferecidos pelo departamento de transporte local.

Exemplos de carteiras de não-motorista da Undriving. Foto de divulgação.

A Undriving mantém um sistema de franquia para emissão de carteiras nos EUA.

E criar uma versão brasileira? Alguém encampa a idéia?

Bicicletada do dia sem carro

Na próxima quarta, dia 22, celebra-se o Dia Mundial sem Carro. Em Brasília, será realizada uma Bicicletada especial, com concentração na Praça das Bicicletas (Museu da República), a partir das 18h. Atividades em outras cidades – e serão muitas – podem ser consultadas no site da Bicicletada e no wiki do World Carfree Day.

Curitiba, a cidade das bicicletas (ou não)

Um pessoal de Curitiba deu início a um movimento bacana de mobilização e participação. A intenção do votolivre.org é apresentar projetos de lei de iniciativa popular, com base na Lei Orgânica do município, que prevê o recebimento pelo Legislativo de propostas que tenham apoio de pelo menos 5% do eleitorado (na esfera federal, de acordo com a Constituição, o requisito é de 1%).

E o primeiro projeto em busca de assinaturas é o da Lei da Mobilidade Sustentada Urbana (Lei da Bicicleta). O texto proposto determina a destinação de 5% das vias urbanas para ciclovias e ciclofaixas; obrigatoriedade de bicicletários ou estacionamentos para bicicletas em terminais de transporte, prédios públicos, escolas, centros comerciais e parques; realização de campanhas de educação para o uso da bicicleta como meio de transporte; e implementação de sistema de locação de bicicletas.

Uma curiosidade é que, a despeito das reclamações quanto à (falta de) estrutura para os ciclistas, Curitiba aparece em vários rankings das
cidades mais amigáveis às bicicletas” – é a quarta colocada na lista do AskMen e a sexta na do Momondo. Os dois sites falam em “cidade mais bem planejada do mundo” e “ciclofaixas por toda parte”.

Comentários de curitibanos no AskMen, contudo, sugerem uma realidade diferente. Um dos visitantes diz [tradução minha]: “Tá brincando, né? Moro em Curitiba e posso garantir que este não é um lugar para ciclistas. Infelizmente.” Outro ataca a credibilidade do ranking: “Moro em Curitiba e é um completo nonsense incluir a cidade numa lista das dez mais amigáveis às bicicletas. Por favor, não acreditem nessa lista.”

Com a palavra – e a caneta – os curitibanos…

Obediência civil

Não sou o maior fã de ativistas que buscam o confronto permanente como maneira de “conscientizar” a população. No entanto, é inegável que a passividade também não resolve nada; pelo contrário, incentiva os infratores a prosseguir no desrespeito às leis, à convivência pacífica e à civilidade.

O vídeo abaixo mostra a ação de ciclistas de Brasília que simplesmente resolveram impedir o trânsito irregular de automóveis pela ciclofaixa. Mais (re)ações desse tipo talvez ajudassem a mudar o vale-tudo de nossas ruas e estradas.