Reflexão: ciclofaixa do lazer de Brasília

A ong Rodas da Paz divulgou texto sobre a ciclofaixa de lazer feita a toque de caixa em Brasília e as prioridades de uma verdadeira promoção da cultura cicloviária:

Uma reflexão da Rodas da Paz sobre as ciclofaixas de lazer

Nos últimos dias muita atenção tem sido dada as novas ciclofaixas de lazer. A questão central é: de que forma elas tem potencial para contribuir para a cultura cicloviária do DF? Deixamos alguns pontos para contribuir com essa questão e com o planejamento da nossa política de ciclomobilidade.

A ciclofaixa de lazer é uma ideia interessante por oferecer mais um espaço de lazer para o brasiliense e limitar o espaço viário dedicado aos carros. Contudo, é preciso lembrar que esta é uma política complementar para promoção do uso da bicicleta e que deve ter por objetivo o convívio harmônico e o respeito as diferentes opções de mobilidade urbana.

Para cumprirem seu papel, as ciclofaixas de lazer devem estar associadas a um projeto de valorização da cultura cicloviária. Isto significa promover campanhas massivas de educação dos ciclistas, motoristas e pedestres e de fiscalização sobre o cumprimento do CTB, principalmente no que diz respeito a noção de que a bicicleta é um veículo; assim como executar estratégias permanentes de moderação do tráfego e redução dos limites de velocidade.

Nesse sentido, as campanhas devem prioritariamente orientar os motoristas à obediência ao Código de Trânsito e para uma conduta de respeito ao ciclista e ao pedestre, promovendo a segurança e garantindo a proteção à vida. Isso quer dizer que os motoristas devem ser orientados a reduzir a velocidade e oferecer pelo menos 1,5m de distância em ultrapassagens e dar a preferência à bicicleta nos cruzamentos e nas entradas.

No entanto, há pouco que aponte nessa direção. Os panfletos distribuídos nas ciclofaixas de lazer, por exemplo, se restringem, até então, exclusivamente aos ciclistas, não sendo voltados aos motoristas. Do mesmo modo, não há sinalização nas ciclofaixas (nem nas ciclovias) que mostre que a preferência é do ciclista. No caso do sudoeste, a sinalização indica, contraditoriamente, a preferência dos veículos motorizados.

Lembramos também que os custos envolvidos nas ciclofaixas não são pequenos, pois é preciso sinalizar as vias, comprar cones e deslocar agentes para montar e desmontar a operação. Não é contraditório deslocar tamanho investimento para uma estrutura temporária de lazer, enquanto a infraestrutura permanente para transporte nas cidades satélites, onde há o maior número de usuários de bicicleta (e de acidentes), é precária?

Afinal, por que a sinalização da Ciclofaixa, que só funciona uma vez por semana em dia de baixo tráfego de carros, foi feita antes da sinalização das ciclovias em implantação, que são para uso diário no transporte?

Essas questões, que há tempos vem sendo apresentadas pela Rodas da Paz no Comitê Gestor da Política de Mobilidade Urbana por Bicicleta do DF, reforçam a necessidade de que a participação popular nesse processo seja mais efetiva. Afinal, os usuários de bicicletas e as organizações que lutam por um trânsito mais humano e uma mobilidade cidadã tem grande experiência prática e conhecimento no tema – que é muito recente no país.

Para promover a cultura cicloviária para além da contribuição positiva, mas limitada, das ciclofaixas de lazer, é urgente que o GDF promova a participação efetiva da sociedade e a mobilização dos que tem na bicicleta seu meio de transporte ou lazer, a exemplo de outras grandes cidades do Brasil.

Rodas da Paz, abril de 2013.

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