A festa das ciclovias

De tempos em tempos, o Governo do Distrito Federal, independentemente de partido no poder, refesteja o projeto milionário das ciclovias na capital. Nos últimos meses, as máquinas vêm abrindo caminho em diversas regiões, enfrentando a chuva e retirando a vegetação, para satisfação de muitos moradores. Serão, afinal, 600 km de “ciclovias e rotas cicláveis” para oferecer uma nova opção de transporte à população.

Será?

As ciclovias não são milagrosas. Não mudam por si só a mentalidade de pessoas que se acostumaram a ver o carro como um direito e garantia fundamental – ainda que seja para ir à padaria. Não acabam, sozinhas, com o desconhecimento da lei. Não bastam para criar um espírito de tolerância e cooperação no trânsito.

Desde que vim morar aqui ouço que a paixão local pelo automóvel se deve apenas à “falta de transporte público”. E sempre me pergunto se haveria de fato uma mudança significativa se, num passe de mágica, um governador resolvesse corrigir a vergonha que são os ônibus e até o metrô da capital. Haveria?

A história é parecida com o uso da bicicleta: as pessoas dizem admirar quem pedala de um lado para o outro, mas quase como heróis tresloucados, nunca como seres humanos normais. Tudo seria diferente, esclarecem, se houvesse mais segurança, vestiário no trabalho, ciclovias…

Vai passar uma quase na minha porta. Quero ver quantas pessoas de verdade virão atrás.

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Uma resposta para “A festa das ciclovias

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