Paz no trânsito

O que são 15 bicicletas juntas na rua? Para muitos motoristas, uma bagunça, uma procissão de desocupados empenhados na abominável missão de atrapalhar o trânsito. Passeio, protesto ou coincidência; não importa. Ciclista andando em grupo é arruaça, provocação, formação de quadrilha.

Pouca diferença faz se o Código de Trânsito Brasiliero classifica a bicicleta como veículo (art. 96) e que, como tal, esta “atrapalhe” o trânsito tanto quanto uma Variant em marcha lenta ou um caminhão-cegonha numa subida. Ou se o mesmo CTB determina que os veículos maiores e motorizados são responsáveis pelos menores e não motorizados (art. 29, § 2º).

Em termos de lei, a única lembrança do motorista cioso é a determinação de que as bicicletas devem circular nos bordos da pista (art. 58), regra freqüentemente desrespeitada nas esculhambadas aglomerações de ciclistas. Afinal, na hora de (des)qualificar os grupos sobre duas rodas, vale sempre o velho brocardo jurídico: aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei.

E, se a lei não se adequar aos fatos, que se mude a lei. Ou os fatos. Ou qualquer coisa. Menos o sacrossanto direito de dirigir em paz. Em paz.

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