Dia Mundial com Carro

É com um tanto de constrangimento que, em pleno Dia Mundial sem Carro, admito que não vou de bicicleta ao trabalho há quase um ano. Chuva, compromissos encavalados, estrutura precária, conjunções astrais… desculpa nunca falta. Mas a questão aqui é outra: é possível defender um transporte mais sustentável e humano sendo proprietário – e usuário – de um automóvel?

Um radical poderia responder que não, que é preciso ser coerente e marcar posição, sem dar margem à argumentação das hostes inimigas.

Um tolerante poderia defender um discurso conciliador, com o bom senso e a moderação tomando o lugar do extremismo, em busca de um meio termo razoável.

Entre uma posição e outra, porém, encontra-se a maioria das pessoas. Pessoas que nunca pararam para pensar seriamente no desatino de circular diariamente sozinhas em carrões de sete lugares ou no prazer de usar as próprias pernas para se levarem ao trabalho. Pessoas que tampouco refletiram sobre a conveniência de carregarem a família inteira – e o papagaio – sem maior dificuldade ou sobre o transtorno de chegarem sujas e pegajosas a uma entrevista de emprego.

Não se trata, portanto, apenas de deixar o carro na garagem por um dia. É preciso pensar em que tipo de sociedade desejamos: uma que sabe querer pedalar ou uma que só quer saber de dirigir?

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